“A privatização dos bancos públicos ameaça o bem estar social”

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A privatização dos bancos públicos, defendida pelos principais assessores do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), provocaria a aceleração do empobrecimento da população mais carente do Brasil. Essa foi uma das conclusões da 6ª edição da série “Diálogos Capitais”, realizada na noite da última quinta-feira (6) em Natal (RN).

Promovido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), em parceria com a revista Carta Capital, o evento teve como tema “Bancos públicos sob ataque: desafios, riscos e perspectivas”.

Participaram do debate a governadora eleita Fátima Bezerra (PT), o senador Jean-Paul Prates (PT), o presidente da Fenae Jair Ferreira e o sociólogo Jessé Souza, autor do livro “A Elite do Atraso”.

Jair Ferreira destacou a importância dos bancos públicos, principalmente da Caixa Econômica Federal (CEF), para o desenvolvimento nacional, o fomento à economia e o alcance dos programas sociais.

“É um absurdo privatizar esses bancos, porque isso atingiria o estado de bem estar social, conquistado pela Constituição de 1988. As empresas públicas, incluindo os bancos, não se guiam só pela lógica do lucro. Elas têm função social importante. Quando você abre mão disso, você prejudica a população mais pobre, não os rentistas”, alertou.

Aprofundar a pobreza

Para Jessé Souza, a elite nacional “não tem nenhum projeto de país”. Ele classificou essa parcela da sociedade como “uma elite saqueadora, subordinada ao capitalismo financeiro norte-americano”.

“Esse ataque aos bancos públicos é parte de um processo mais amplo. O que está acontecendo agora não é uma catástrofe natural. É uma coisa provocada pelo acordo entre as elites agrária e financeira, que não estão nem aí se o país vai bem ou mal. Para elas, se o país vai mal, fica mais fácil comprar os ativos nacionais a preço baixo. Nós não vamos conseguir convencer ninguém se não denunciarmos esse acordo”, advertiu.

Jessé denunciou o uso do que chamou de “semântica da corrupção do estado” para legitimar a pauta do capitalismo financeiro, cujo interesse maior não é combater o empobrecimento da população, mas sim aprofundá-lo.

A governadora eleita Fátima Bezerra reiterou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico do país e a redução das desigualdades sociais e regionais.

Ela defendeu uma “mobilização e unificação política” para formar uma “frente ampla capaz de enfrentar o aprofundamento dos ataques ao patrimônio nacional”, como vem sendo sinalizado pelo novo governo.

O senador Jean-Paul Prates disse que o debate sobre os bancos públicos “tem a ver com o tema da austeridade fiscal”.

“Essa questão da austeridade parte de vários pressupostos errados, como a comparação entre orçamento público e doméstico. O estado, ao contrário das famílias, tem uma capacidade de auto-organização maior. Privatizar bancos públicos para fazer caixa para o governo é cair nessa armadilha. Em tempos de crise, austeridade produz mais crise”, enfatizou.

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