Artigo – BNB: oportunidades sim, ameaças não!

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  • Por José Varela Donato Doutor em Administração e consultor de empresas

O Banco do Nordeste sofre, do nascimento até hoje, ameaças para extingui-lo ou enfraquecê-lo. Ameaças de extinção miraram privatização, transferência de recursos e operações para Banco do Brasil e, por último, para o BNDES, este sem agências para chegar aos 2.000 municípios atendidos pelo BNB.

Enfraquecer o BNB envolveu limitar sua atuação ao Polígono das Secas, restringir mercado para atender somente pessoas jurídicas, pequenas e médias empresas. Decisões consolidadas, não implantadas ou revertidas.

Agora, noticia-se intenção de dividir recursos (FNE) do BNB e respectiva gestão com governos estaduais, a qual poderá implicar perda de escala e, assim, de capacidade da rede agências, recursos tecnológicos e humanos e de experiência de três décadas de formulação, operação e avaliação das políticas do FNE.

A divisão de recursos com governos estaduais remonta à própria criação do BNB, ameaça não aceita à época devido à certeza de que má política colocaria em alto risco resultados e vida da instituição. Formulador e primeiro presidente do BNB, Rômulo Almeida falou da sua fundação:

“No caso específico do Banco do Nordeste, eu creio que nós conseguimos um grande êxito. Tinha uma área que era boi para as piranhas. Mas outra área que ele preservava do clientelismo. E então ele [Getúlio Vargas] colocou o BNB nessa área. Bem, aconteceu o que era previsível, que as forças políticas locais desejassem tripular ou ‘assaltar’ o Banco… Isso aconteceu.”

O triste fim de bancos estaduais testemunha o acerto de Vargas. Clientelismo e falta de integridade, talvez como nunca, persistem entranhados na gestão pública! Mas, com equipe técnica capaz e engajada, pioneirismo, inovação e bons resultados, o BNB conseguiu sobreviver, apesar de danos e desgraças da politicalha.

O maior banco de desenvolvimento regional da América Latina, em vez de ameaças, merece oportunidades de expandir operações com mais recursos, aprimorar governança para gerenciar com autonomia e imune à política partidária e engajar governo, empreendedores e sociedade na definição de programas e estratégias de prosperidade.

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