OPINIÃO: Sobre credulidade e culpa – Por Janaína de Oliveira Ribeiro

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  • Por Janaína de Oliveira Ribeiro 

Outro dia encontrei vasculhando a Internet, enquanto ouvia uma videoaula, algo sobre um batom com promessa de emagrecimento, com cerca de 104 mil seguidores…

Definitivamente as pessoas são muito crédulas.

Na realidade, não diria que são crédulas, mas é sempre mais fácil acreditar em uma solução externa. Externa à própria mudança de comportamento, mudança de postura ou de atitude. É sempre mais fácil, porque com isso há a ideia de culpabilidade. Se eu acredito que é o outro quem vai efetuar uma mudança, se é o outro quem tem a responsabilidade sobre algo que eu deveria mudar em mim… Quando o outro não cumpre com o prometido, quando o outro não tem a eficiência prometida ou esperada, então a culpa é dele. A culpa não é minha por ter inventado ideias a respeito do outro, a culpa não é minha por não ter questionado, a culpa não é minha por não ter efetuado em mim a mudança esperada. É do outro. Eu não assumo minha responsabilidade sobre determinado fato, ou sobre todos os fatos de minha vida, há sempre alguém a quem culpar. É um escape à realidade, é um escape às consequências dos próprios atos.

Eu não fui ensinado(a) ao longo da vida  a assumir meus erros, a ter responsabilidades, a pensar nas consequências de minhas decisões e escolhas, e mesmo tendo entrado na vida adulta permaneço com a mesma conduta, com a mesma falta de sensibilidade ao que posso causar no outro. Em suma é apenas o egoísmo da primeira infância manifesto de outras formas e acompanhado da “Síndrome de Gabriela”, identificada no trecho da clássica canção composta por Dorival Caymmi: “EU NASCI ASSIM, EU CRESCI ASSIM, VOU SER SEMPRE ASSIM… GABRIELA”. A composição nada tem a ver com meus devaneios, mas esse trecho retrata bem o comportamento de muitas pessoas. Eu não me abro a novas oportunidades de conhecimento, de autoconhecimento, de crítica e, especialmente, eu não percebo o que minhas atitudes causam nas pessoas ao meu redor; ou não percebo que meus erros podem causar danos a outros; permaneço desta forma assumindo que os outros é que têm responsabilidade pelo que na minha vida não deu certo. Foi o batom que não cumpriu com sua promessa, foi o candidato que não cumpriu com sua palavra e promessas (apesar de eu ter votado, mas esta parte geralmente é esquecida). Não foi minha culpa, foi culpa dos governadores que não fizeram o que eu mandei. Esse vai ser o discurso, esse é o discurso de muitas pessoas, pessoas que simplesmente não pensam, em si ou no outro, só sobrevivem da pior maneira possível.

Vermes sobre o mundo, adubando o mundo com suas ideias distorcidas da realidade, e que não aceitam críticas, porque sua maneira de encarar a vida é a correta em detrimento de todo o restante do mundo.

Janaína de Oliveira Ribeiro é funcionária do BNB e associada à AFBNB

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