Editorial: BNB: por que defendê-lo?

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A manutenção do Banco do Nordeste (BNB) como principal instrumento de desenvolvimento da região nordestina volta a ocupar o primeiro plano das preocupações de suas lideranças políticas, empresariais e comunitárias. Volta-se a falar em mudanças na instituição que não ficariam restritas apenas ao titular do órgão. Iriam mais além da tradicional propensão do presidencialismo brasileiro de ocupar espaço político: mexeriam no seu próprio caráter estratégico de banco fomentador de um modelo de desenvolvimento regional não circunscrito ao ultraliberalismo.

Caso seja assim, o que mais importaria para os nordestinos seria assegurar que o BNB se mantivesse fiel a seus objetivos originários de um modelo que combina Estado e iniciativa privada e não fica na dependência de dirigentes transitórios. O importante é que o BNB encontre receptividade e encorajamento nas altas esferas decisórias para cumprir sua missão: a de fazer do Nordeste um polo econômico ainda mais dinâmico. Para isso cabe ao BNB continuar a ofertar crédito ao menor custo possível aos empreendedores, nos mais diversos segmentos da atividade produtiva, e com isso contribuir para a diminuição das disparidades regionais que produzem um todo nacional disforme.

É o acesso ao crédito um dos aspectos que diferenciam as economias regionais entre si. Como as instituições financeiras privadas geralmente tendem a disponibilizar maior oferta de crédito a regiões mais desenvolvidas economicamente (normalmente associadas a menor incerteza e preferência pela liquidez), isso reforça o processo cumulativo das desigualdades regionais, segundo os técnicos. A consequência é gerar um efeito concentrador no que se refere ao crédito, que termina por estimular os desequilíbrios regionais. É explicável: uma característica própria do desenvolvimento é concentrar, nas áreas mais desenvolvidas, mais oferta de crédito e maior grau de sofisticação nos serviços oferecidos.

Um banco de fomento como o BNB, de caráter regional, traz a possibilidade de romper tal círculo vicioso em vista de sua integração com a economia local e da promoção do desenvolvimento sustentável regional, incentivando a oferta de crédito local e aumentando a capilaridade do sistema financeiro de modo a contrastar os efeitos deletérios da concentração bancária que o atual modelo econômico induz.

Defender esse papel do BNB e permitir-lhe dirigir o Fundo Constitucional (FNE) para esse objetivo estratégico de fazer do Brasil um todo nacional e não uma federação desigual e ineficiente deve ser o foco das mentes mais lúcidas, num País que se desfaz, da noite para o dia, de instituições com lastro admirável de conhecimento e experiência acumulados, numa veleidade iconoclasta jamais vista.

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