Opinião: Em defesa do Banco do Nordeste

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* Por Senador Jean Paul Prates (PT-RN)

 

As ameaças de privatização, fusão ou extinção do Banco do Nordeste do Brasil demonstram com clareza o desprezo que o governo Bolsonaro tem com o povo da região. Em apenas dois meses, o BNB já recebeu ataques da Secretaria Especial de Desestatização e Desinvestimento e também de integrantes da área econômica do governo, inclusive do próprio ministro da Economia, Paulo Guedes. Vamos trabalhar no Congresso para não permitir nenhum destes disparates.

A proposta de extinguir ou privatizar o Banco do Nordeste – além de outros bancos públicos – não passa de uma ideia requentada e indigesta, herança do governo Temer. Infelizmente, os banqueiros e essa entidade quase divina chamada “mercado” nunca estiveram tão fortes. As primeiras iniciativas e propostas do atual governo – reforma da previdência que praticamente impede o trabalhador de se aposentar, carteira de trabalho que extingue os direitos do empregado, entre outras – indicam com clareza quem realmente tomou as rédeas do país.

Em vez de propor o fim do Banco do Nordeste, o governo deveria revitalizar e fortalecer a instituição. Maior banco de desenvolvimento regional da América Latina, vale lembrar que o BNB foi criado em 1952 com o objetivo de prestar assistência à população e oferecer crédito na região conhecida como Polígono das Secas. Sua missão foi ampliada ao longo dos anos e, hoje, o banco é o principal financiador do desenvolvimento do Nordeste. Sem ele, um dos principais penalizados será o pequeno produtor rural, que já amarga as adversidades climáticas.

A alegação do governo para privatizar o Banco do Nordeste, a de arrecadar recursos, é furada. Vender o banco agrega muito pouco. Além disso, o BNB é um órgão autônomo e com baixo custo operacional. Mesmo a fusão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) implicaria em prejuízos para a população nordestina. Obviamente ninguém duvida da competência do BNDES, mas ele não tem a expertise na operação de financiamentos para a região. Além do mais, o Nordeste deixaria de ser tratado com a prioridade que a realidade exige.

A aprovação dela pelo Congresso exigiria alteração constitucional. Há uma avaliação técnica de que tanto o BNB quanto o Banco da Amazônia (Basa) não deveriam “competir” com o BNDES, já que os dois bancos do governo federal usam como fonte recursos dos fundos oficiais da Sudam e Sudene sem necessidade de remuneração.

O Banco do Nordeste é extremamente eficiente e precisa ser defendido. Um dos seus principais papéis é garantir microcrédito a pequenos empreendedores da região. Registro que esse tipo de operação vem desde os tempos do governo do presidente Lula, quando o BNB adquiriu o know how necessário para se transformar hoje em uma das instituições financeiras da América Latina com mais experiência em microcrédito. São mais de 4 milhões de beneficiados.

O brasileiro como um todo, mas em especial a população nordestina, não pode se comportar passivamente e apenas aguardar o desenrolar dos acontecimentos. No Congresso Nacional, buscaremos fazer nossa parte, pressionando o governo para que ele não concretize esse verdadeiro crime contra a economia da nossa região. Além disso, precisamos mobilizar não apenas os funcionários da instituição e a categoria bancária, mas também os movimentos sociais e até a classe empresarial que sabe da importância da manutenção do BNB. Somente com a participação e a união de todos poderemos evitar esse retrocesso e provocar um final feliz para essa história.

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