Troca de mensagens prova o caráter seletivo e reacionário da Lava-Jato e a prisão política de Lula

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Na noite deste domingo, dia 9 de junho, o Portal The Intercept divulgou uma reportagem bombástica. Nela, são divulgadas trocas de mensagens, no Telegram, entre o atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, então juiz responsável pelos principais processos da Lava-Jato, o procurador Deltan Dallagnol e vários outros procuradores que trabalhavam nesta operação jurídico-policial de Curitiba.

As mensagens demonstram diretamente que o processo judicial conhecido como o caso do “Triplex do Lula” foi totalmente montado pelo juiz Moro e os procuradores da Lava-Jato. Ele foi baseado numa matéria do Jornal O Globo, que apontava que o ex-presidente possuía cotas de um apartamento que ficaria na Torre B do referido Prédio, no Guarujá (SP).

Lula acabou sendo acusado pela Lava-Jato de possuir um Triplex na Torre A do Edifício. Torre está que nem existia quando foi publicada a referida matéria. As mensagens mostram que o próprio Dallagnol considerava frágeis as evidências apontadas pela acusação, dias antes dele próprio tê-las apresentado, com direito ao famoso “Power Point”.

A matéria mostra também que os Procuradores da Lava-Jato discutiram como poderiam evitar a entrevista de Lula, já preso na sede da Policia Federal em Curitiba, para o jornal Folha de S. Paulo, semanas antes das eleições do ano passado. Eles falavam abertamente, contando que suas palavras nunca seriam conhecidas pelo público, de que eles temiam a volta do PT ao governo, e por isso queriam impedir a entrevista de Lula ou sabotá-la incluindo vários outros jornalistas. E, mostram também, como eles comemoram quando uma ação do Partido Novo foi acolhida por um ministro do STF, proibindo de forma antidemocrática a entrevista de Lula.

Mas, o mais grave é a comprovação, pela troca de mensagens entre Moro e Dallagnol, que houve um conluio ilegal entre o juiz e o procurador. Ou seja, o juiz que deveria julgar de forma imparcial o processo combinou detalhes deste com o procurador que tem a função da acusação. Um procedimento totalmente ilegal, que fere a legislação brasileira.

Na verdade, a troca de mensagens entre Moro e Dallagnol demonstra de forma inequívoca que a condenação de Lula foi sem provas, sua prisão foi política e o impedimento de sua candidatura presidencial era um dos objetivos principais de toda a operação. Um aprofundamento do golpe parlamentar representado pelo Impeachment sem que a ex-presidente Dilma tivesse cometido crime de responsabilidade.

A Lava-Jato atuou para manipular as eleições. Está mais do que evidente que a interferência política de Moro, Dallagnol e Cia tinha o objetivo de deixar Lula fora do processo eleitoral do ano passado. O ex-presidente Lula, mesmo como preso político, vinha liderando todas as pesquisas de intenção de votos, de longe era quem tinha maiores chances de ser eleito presidente no cenário político pré-eleitoral. Além de estar preso, o ex-presidente também foi impedido de dar entrevista durante as eleições, por interferência da Lava-Jato. Sendo assim, não há dúvidas de que o processo eleitoral foi antidemocrático e comprometido devido à ação desta operação.

Inclusive, é importante que setores da esquerda brasileira que nutriram durante muito tempo ilusões, expectativas ou exigiam uma espécie de “Lava-Jato para valer”, diante da gravidade das denúncias de The Intercept, que comprovam o caráter seletivo e reacionário desta operação, revejam imediatamente sua posição política anterior.

Anular a sentença do triplex e libertar Lula imediatamente

A nota pública sobre o episódio, publicada pelos próprios procuradores da Lava-Jato, embora reclamem dos jornalistas por não terem sido ouvidos antes da publicação, não nega em nenhum momento a veracidade das mensagens divulgadas por The Intercept.

Mais uma vez, setores da grande imprensa, como o Fantástico, da TV Globo, rapidamente vêm a público defender os argumentos dos Procuradores da Lava-Jato, tentando falsificar e desqualificar as denúncias da reportagem publicada por The Intercept.

A divulgação da troca de mensagens demonstra toda a farsa montada em torno do processo do triplex. Que não existem provas de que ele pertencia a Lula e a sua família. Foi um processo montado para tirar o ex-presidente da disputa presidencial do ano passado.

Não apoiamos o projeto político de conciliação de classes da direção petista, mas não é necessário ser um apoiador do PT e de Lula para entender o que está em jogo e quais foram as reais intenções dos procuradores da Lava-Jato.

Não restam mais dúvidas deste conluio. A matéria é só uma confirmação cabal do caráter seletivo e político da Lava-jato. A prisão de Lula é política, e sua condenação foi sem provas.

Portanto, é necessário intensificar a campanha #Lulalivre nas ruas, chamando os trabalhadores, a juventude e os oprimidos que se mobilizem para derrotar mais este capítulo sinistro do golpe parlamentar que começou com o Impeachment de 2016. Começando já na próxima sexta-feira, dia 14 de junho, quando está confirmada uma greve geral no brasil.

Fora Moro do Ministério da Justiça

Mas, a libertação imediata de Lula não é a única conclusão importante diante do escândalo divulgado na noite deste dia 9 de junho.

A troca de mensagens são evidências mais do que suficientes para abrir imediatamente uma investigação transparente e profunda – com controle da sociedade, da OAB e demais entidades nacionais que defendem às liberdades democráticas – sobre a própria Operação Lava-Jato e seus Procuradores. No mínimo, o Congresso Nacional deveria instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Investigar os reais objetivos e os procedimentos desta operação jurídico-policial, que foi um dos instrumentos fundamentais para enganar a maioria do povo brasileiro, viabilizando um cenário favorável ao golpe do Impeachment, a prisão de Lula e a eleição de um governo de extrema-direita no Brasil. Não é possível que se aceite como normal que os procuradores da Lava-Jato atuem passando por cima das leis brasileiras.

Pesa fortemente contra o ex-juiz da Lava-Jato que sua atuação parcial e ilegal foi decisiva para a condenação sem provas, à prisão política e o impedimento da candidatura de Lula, facilitando um caminho para a eleição de Bolsonaro. Atuação de Moro na Lava-Jato foi premiada pelo atual presidente Bolsonaro, com sua nomeação para o Ministério da Justiça. Sérgio Moro deve ser afastado imediatamente do Ministério da Justiça.

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