A importância do descanso social – Por Alessandra Silva Xavier

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Poder olhar para si, conversar consigo, aquietar a mente de estímulos ajuda na regulação emocional, no desempenho cognitivo.

Escrito por
Alessandra Silva Xavier – producaodiario@svm.com.br

Interagir, agir entre, estar no meio dos pares, ser afetado, aprender, sentir, conviver, partilhar, experimentar junto, prestar atenção ao outro, negociar, ser empático, combinar, escutar, trocar ideias: todas essas dimensões são cruciais em nosso processo de desenvolvimento. O outro nos amplia, nos fortalece, nos afeta, construtiva e destrutivamente. O outro nos marca, nos compõe em memória, em vínculo.

Poder olhar para si, conversar consigo, aquietar a mente de estímulos, parar, relaxar, descansar, ouvir a si, prestar atenção ao seu ritmo,  seus desejos, olhar para o dia, integrar o vivido, ficar em silêncio, realizar pausas das demandas emocionais, auxilia na regulação emocional, no desempenho cognitivo (durante o descanso é muito frequente conseguirmos encontrar respostas para problemas complexos), além de auxiliar na redução de tensão e estresse.

As interações sociais podem ser fabulosamente prazerosas;  entretanto, demandam atenção, energia, concentração para compreender as linguagens, os estímulos sociais, entender o ambiente e os afetos mobilizados. Durante as interações podemos ficar emocionalmente exaustos diante de expectativas, do desejo de agradar, de tentar analisar a dinâmica das interações e nem sempre nos damos conta do que pode ser posto em movimento enquanto memória,  afeto e sensações.

Relacionar-se exige esforço emocional, físico e cognitivo que pode ocasionar grande desgaste, dor de cabeça e cansaço. Ao manter atenção nas conversas, interpretar o ambiente, regular as emoções que afloram das interações sem o devido descanso para acomodar essas experiências e processar as emoções vividas, pode ser um passo para quadros como Burnout, exaustão emocional e até diminuição da capacidade de empatia e de se relacionar.

Caso o seu trabalho exija muitas interações, trabalhe com público, necessite falar com muitas pessoas, responder muitas mensagens, especialmente profissionais de saúde,  educação, comunicação; o descanso se torna imprescindível para sua saúde mental: um tempo sem celular, um momento sozinho após um dia de trabalho intenso, um espaço para criar uma “câmara de descompressão”, momentos sem precisar decidir, interagir e que seja capaz de intercalar com dias com menos demandas sociais.

 

Além disso, o distanciamento após muitas interações torna-se necessário para elaborar e processar o vivido. Ser capaz de solidão, ficar bem na própria companhia, escutar-se internamente,  distanciar de estimulação social seja presencial ou virtualmente é fundamental para a criação, para a aprendizagem e para a construção de um mundo interno rico, vibrante, de alguém que dialoga consigo, se respeita, cuida e se pensa.

 

O descanso intercalado é diferente de alguém que nunca consegue interagir ou que não deseja manter nenhum contato social. A existência da dificuldade de interagir,  o desejo de isolamento constante e contínuo, em conjunto com imenso sofrimento psíquico, pode ser indicativo de quadros de depressão ou de grande ansiedade.

Quando o outro individual ou coletivo pesa, exige, manipula, absorve, controla, torna-se ainda mais necessário a construção de ilhas de descanso. Mesmo quando a interação é prazerosa, é necessário o intervalo para recompor. Até o que é bom, se acontece infinitamente gera desconforto. Quando o  descanso não acontece após muitas demandas sociais é possível que aumente a irritabilidade, produza ações de forma reativa, com pouca tolerância a situações desgastantes ou emocionalmente exigentes, pouca paciência e ampliação de conflitos e dificuldades nas interações.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora. 

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