Aprovado texto-base da reforma da Previdência. Veja como votaram os deputados da Comissão Especial

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A comissão especial da reforma da Previdência aprovou, nesta quinta-feira (4), o texto-base do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) à proposta de emenda à Constituição (PEC 06/2019) que muda as regras do sistema de aposentadoria. Foram 36 votos favoráveis e 13 contrários. Dos três parlamentares pernambucanos que integram a Comissão Especial, apenas o deputado Federal Carlos Veras (PT-PE) votou contra a nefasta reforma da Previdência e em defesa dos trabalhadores. Os deputados Fernando Rodolfo (PL-PE) e Silvio Costa Filho (PRB-PE) votaram pela aprovação do texto-base. Matéria segue agora ao Plenário da Câmara.
Na sequência, a comissão vota, em bloco, os 29 destaques individuais e inicia a discussão dos 25 destaques de bancada – esses são discutidos um a um: 16 da base aliada governista e nove da oposição. Contrária à proposta, a oposição afirma ter fôlego para avançar até a madrugada, se for necessário. “Vamos avançar a noite”, prevê o deputado José Guimarães (PT-CE). A secretaria da comissão previa encerrar as atividades às 17 horas.
Durante a tramitação da matéria, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou o governo de “usina de crises”. Foi uma reação às críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, a mudanças propostas por Samuel Moreira, no projeto de reforma. Guedes havia atribuído as modificações a “pressões corporativas” e ao “lobby de servidores do Legislativo”.
A reforma aprovada prevê economia R$ 1 trilhão em dez anos, segundo o relator Samuel Moreira. A estimativa inclui a redução de despesas de R$ 933,9 bilhões e aumento de receitas (por meio de alta de tributos e fim de isenções) de R$ 137,4 bilhões. A proposta original, enviada pelo governo em fevereiro, falava em economia de R$ 1,236 trilhão em uma década.
Pelo grau de importância para o governo, o secretário de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Rogério Marinho, acompanhou a votação de perto na Câmara. Chegou a realizar uma reunião, dez minutos antes da aprovação, com deputados aliados, incluindo o líder do governo, deputado Vítor Hugo (PSL-SP).
Na corrida contra o relógio, conforme mostrou o Congresso em Foco, o governo colocou em campo o time do Palácio do Planalto e do Ministério da Economia para pressionar o centrão e aliados na votação da reforma. A ordem é aprovar a proposta no plenário da Câmara antes do recesso do Congresso, que inicia oficialmente em 18 de julho.
No plenário, são necessários dois turnos, com 308 votos em cada turno. Essa é a maior dificuldade do governo. Rodrigo Maia prevê 350 deputados favoráveis à proposta, mas nem mesmo o Palácio do Palácio está convencido se chega com votos suficientes para aprová-la. Tudo dependerá de acordo com os líderes do centrão.
 
Polêmica com agentes de segurança
Alvo de questionamentos da bancada da bala e do próprio governo, as regras para policiais federais e policiais rodoviários federais não foram alteradas: continuaram os 55 anos de idade mínima sem pedágio. Afinal, o governo Bolsonaro fracassou ao tentar fazer um acordo com os policiais, que rejeitaram a redução da idade mínima proposta pelo presidente para continuar brigando por uma regra de transição semelhante à dos policiais militares, de 17%.
Profissionais da área de segurança chamaram de traidor o governo Bolsonaro. Nesta quinta, em uma manifestação na porta da comissão especial, oficiais de justiça e policiais federais e rodoviário gritaram em coro contra a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP): “Traidora, traidora, traidora”.
Terceira versão
A terceira versão do relatório da reforma da Previdência, apresentado na noite dessa quarta-feira, trouxe quatro alterações ao texto anterior. Moreira cedeu a apelos do centrão e retirou do projeto a cobrança de alíquotas extraordinárias dos servidores estaduais e municipais, deixando essa possibilidade apenas para a União.
Também saíram do texto as fintechs e as seguradoras, para que a ampliação da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20% ficasse apenas para os bancos. Outra mudança diz respeito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que passa a permitir critérios de vulnerabilidade social. Já os processos previdenciários seguem na competência exclusiva da Justiça Federal.
 VOTARAM A FAVOR DA REFORMA E CONTRA OS TRABALHADORES:
Alex Manente (Cidadania-SP)
Alexandre Frota (PSL-SP)
Arthur Maia (DEM-BA)
Beto Pereira (PSDB-MS)
Bilac Pinto (DEM-MG)
Capitão Alberto Neto (PRB-AM)
Celso Maldaner  (MDB-SC)
Daniel Freitas (PSL-SC)
Daniel Trzeciak (PSDB-RS)
Darci de Matos  (PSD-SC)
Darcisio Perondi (MDB-RS)
Delegado Eder Mauro (PSD-PA)
Diego Garcia (Podemos-PR)
Doutor Frederico (Patriota-MG)
Evair de Mello (PP-ES)
Fernando Rodolfo (PL-PE)
Filipe Barros (PSL-PR)
Flaviano Mello (MDB-AC)
Giovane Cherini (PL-RS)
Greyce Elias (Avante-MG)
Guilherme Mussi (PP-SP)
Heitor Freire (PSL-CE)
Joice Hasselmann (PSL-SP)
Lafayette Andrada (PRB-MG)
Lucas Vergilio (Solidariedade-GO)
Marcelo Moraes (PTB-RS)
Marcelo Ramos (PL-AM)
Paulo Ganine (Novo-RJ)
Paulo Martins (PSC-PR)
Pedro Paulo (DEM-RJ)
Ronaldo Carletto(PP-BA)
Samuel Moreira (PSDB-SP)
Silvio Costa Filho (PRB-PE)
Stephanes Junior (PSD-PR)
Toninho Wandscheer (Pros-PR)
Vinicius Poigt (Novo-SP)
– VOTARAM CONTRA A REFORMA E A FAVOR DOS TRABALHADORES:
Alice Portugal (PCdoB-BA)
Aliel Machado (PSB-PR)
André Figueiredo (PDT-CE)
Carlos Veras (PT-PE)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Heitor Schuch (PSB-RS)
Henrique Fontana (PT-RS)
Israel Batista (PV-DF)
Joênia Wapichana (Rede-RR)
Jorge Solla (PT-BA)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Paulo Ramos (PT-RJ)
Sâmia Bomfim (Psol-SP)

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