Bancários resistem, dizem não à tentativa de golpe dos patrões e intensificam a greve

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Registro de Balsas (MA)


 


Mais uma vez os banqueiros – públicos e privados – deram uma demonstração de o quanto são insensíveis com os trabalhadores e do descaso com que tratam a população, pois não deram o menor sinal de que estão interessados em resolver o impasse que eles causaram ao negar as justas reivindicações da categoria e assim “empurrá-la” para a greve. Nem mesmo 25 dias após a deflagração do movimento, que continua forte, manifestam dignidade em negociar de forma positiva. Pelo contrário, esboçam retrocessos.


Na rodada de negociação ocorrida nos últimos dias 27 e 28 de setembro, após duas semanas de silêncio desde o encontro anterior, não apresentaram absolutamente nada de novo, a não ser o acréscimo de alguns reais no abono, que passaria de R$ 3.300,00 para R$ 3.500,00, o que é ilusório, uma vez que tal verba não é incorporada no salário e não repercute positivamente nos rendimentos futuros do trabalhador, não sendo a mesma uma reivindicação da categoria. O que se reivindica é salário e valorização.


Os patrões se mantêm intransigentes em sequer repor a  inflação, que é 9,62%, calculada pelo INPC para o período de setembro de 2015 a agosto de 2016, o que representa na prática o aprofundamento das perdas salariais dos empregados. Além disso, pretendem um acordo para dois anos, com mísero 0,5% além da inflação em 2017, o que é um verdadeiro golpe acintoso à categoria e às entidades sindicais em particular. Os bancos constituem o setor da economia que mais lucra, tenha crise ou não, à custa da exploração do trabalhador e da extorsão da sociedade com tarifas e taxa de juros absurdos. Só no primeiro semestre de 2016 os cinco maiores Bancos em atividade no Brasil (Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e BB) obtiveram um lucro de R$ 29,7 bilhões, e mesmo assim reduziram 13.600 postos de trabalho, ou seja, na proporção que acumulam ganhos, demitem. Logo, não se justifica o não atendimento ás reivindicações.


Eles pretendem também com essa proposta fragilizar a mobilização, levar à acomodação, enfraquecer as entidades representativas que certamente teriam mais dificuldade em mobilizar, além de, obviamente, seguir cumprindo a política de ajuste determinada pelo governo federal sacrificando os trabalhadores. Logo, tão insulto deve ser prontamente rechaçado com muita solidariedade, resistência e luta.


 A proposta foi rejeitada  pelo Comando de greve já na mesa, da mesma forma como ocorreu em situações anteriores, por ser irrisória. Assim, não cabe mais apreciação em caráter deliberativo sobre a mesma nas assembleias que vierem a ser convocadas pelos sindicatos. Referidos fóruns, como sempre, cumprem o papel de discutir e encaminhar o fortalecimento da greve, de agregar mais bancários ao movimento paredista e de ir para as ruas, mostrar à população os motivos pelos quais estão em luta e que a culpa é dos banqueiros e do governo.


O momento é decisivo, e só há dois caminhos: ceder à pressão dos patrões (banqueiros e governo) e sair derrotado, ou intensificar o movimento, inverter a lógica e aumentar a pressão  para conquistar não apenas índice melhor, mas respostas positivas para as demandas específicas. Motivos não faltam! São os mesmos para todos – os que estão em greve e os que não estão. Logo, quem ainda não aderiu ao movimento deve vir para a luta! Sem luta não só não se conquista como se perde o que foi conquistado. Constatação disso é o estudo realizado pelo Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte, cuja conclusão é de que se a categoria não tivesse paralisado suas atividades nos últimos 15 anos teria sofrido perda salarial de 30%! A hora é agora! “Só a luta muda a vida”.


Um capítulo à parte nessa história é a postura nada autônoma do BNB mais uma vez, que permanece em silencia, escondida por trás da Fenaban, ignorando a realidade nada alentadora da instituição e dos seus trabalhadores. Sempre se espera mais da administração do Banco! Há muito que fazer e que poderia já ter sido feito, mas o nosso tempo é agora! Por isso, cobramos negociação específica e positiva já!


AFBNB, 30 anos ao lado dos trabalhadores



 


Source: Notícias – 300

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