No Dia Internacional da Mulher, falar sobre respeito e tolerância é um dos desafios e necessidades.
O dia internacional das mulheres surge enquanto manifestação atrelada à busca por direitos e garantias. Essa data encontra-se indissociável da reflexão sobre as desigualdades de gênero, a necessidade de políticas públicas, de reinvindicações históricas por empregos, dignidade, liberdade e justiça social.
Mães, esposas, filhas, avós, amigas são mortas cotidianamente e por aqueles que deveriam cuidar e proteger. Por aqueles que não conseguem conter aquilo que ao longo dos anos legitima a um homem o poder e direito à vida, ao corpo e à alma de uma mulher: os efeitos perversos do patriarcado no imaginário masculino.
Uma das maiores contribuições que recebemos dos pais relaciona-se ao aprendizado do amor. No cotidiano, nas delicadezas, nas percepções sutis das relações, observamos como somos tratados, como adultos tratam uns aos outros, como o amor é vivenciado, como o respeito é desenvolvido e experenciado. Observamos as palavras, os gestos, o apoio, o entusiasmo pelo crescimento do outro, o esforço para agradar, a conquista, a sedução, a valorização.
Observamos a indiferença, o silêncio, as violências, as piadas, as humilhações, os aniversários não comemorados, os rituais de casais que não existem, o menosprezo sutil da contribuição do outro na vida de cada um e de todos. Aprendemos como o cuidado chega ao corpo do outro, as sutilezas do bem querer ou o silêncio e indiferença emocional. Vemos as relações que são contratuais, onde o outro é coisa ou negócio.
Aprendemos as palavras que acolhem, as que humilham e menosprezam. Perceberemos o lugar do trabalho doméstico, que será ou não valorizado, e quais os espaços onde cabem homens e mulheres e qual a altura do olhar de um para o outro e a diferença de poder entre eles.
Esse amor necessita que meninos sejam educados para reconhecer as experiências das mulheres como legítimas e portadoras de valor, com capacidade de escuta, compreensão das desigualdades históricas entre gêneros, e com relações interpessoais mais respeitosas, onde sejam estimulados à sensibilidade, o falar sobre as emoções e que uso da palavra “coisa de menina” seja visto como algo que comporta dignidade e valor, e não utilizado para inferiorizar qualquer experiência ou comportamento.
É fundamental que o ambiente doméstico questione os modelos tradicionais de masculinidade e possa enfatizar que homens podem demonstrar fragilidade, que mulheres não são objetos de conquista para realizar poder ou controle, e enfatizar a igualdade de direitos e desejos.
Homens devem ser educados a respeitar a autonomia feminina, reconhecer a igualdade de direitos, rejeitar o uso da violência como forma de autoafirmação e domínio nas relações, tolerar frustração e rejeição, praticar o diálogo e a expressão de emoções e sentimentos, lidar com diferenças e exercitar o cuidado. Homens que aprendem a cuidar, desenvolvem outras linguagens emocionais.
É preciso compreender que a arte da sedução envolve recursos complexos e que o corpo feminino não é uma máquina fabricada em série. É imprescindível que homens sejam educados a reconhecer suas partes femininas e a enaltecerem as realizações e o que compõe o feminino; a não temer a própria vulnerabilidade nem o que lhe falta.
A forma como olho, me comporto, as palavras que uso, os gestos sutis e concretos direcionados a uma mulher, serão acompanhados pelos filhos. Resta saber se meu olhar é de caça, de míssil, de julgamento ou de encantamento, admiração e respeito.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.








