Diálogos Capitais – Belluzzo defende investimento público para recuperar economia

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Em evento da série Diálogos Capitais, realizado nesta quarta-feira 13 em Belo Horizonte, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor editorial de CartaCapital, analisou as inconsistências que regem a atual política econômica no País.

Na abertura do debate “Bancos públicos e desenvolvimento econômico e social”, ele afirmou que não existe outro caminho além do investimento público para a recuperação da economia brasileira.

“Temos 380 bilhões de reserva. Fazemos um fundo garantidor e realizamos as operações de financiamento. Se botarmos 30 bilhões, dá para fazer um programa de saída da crise”, disse, antes de encerrar: “Vou terminar com o que disse Xi Jinping: ‘Nosso projeto para 2025 é privilegiar o mercado e fortalecer as empresas públicas’”.

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O economista defende que  a recuperação depende do investimento pelo crédito e da parceria harmônica entre bancos públicos, empresas públicas e setor privado.

“O país está dividido entre duas opiniões polares e polarizadas. De um lado, a ideia é privatizar tudo. Isto está na cabeça dos assessores dos candidatos mais conservadores. Por outro, estamos na resistência para provar o absurdo disso”, disse, para completar: “Tem que recuperar através do investimento pelo crédito. Os organismos internacionais, como FMI, estão recomendando isso. E estamos discutindo onde vai cortar, para afundar mais a economia”.

A comprovação da tese está na história. Ele começou pelo começo, lembrando o início da industrialização brasileira, nos anos 30, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, que usara o Banco do Brasil para financiar os grandes empreendimentos, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1944.

Em 1952, o mesmo Getúlio, de volta ao poder como presidente eleito, articulou um programa desenvolvimentista que tinha como peça fundamental o recém-criado BNDE (futuro BNDES). Em tempos de pós-guerra, tanto aqui como lá fora, o papel dos bancos públicos e também das empresas públicas foi projetar o investimento à frente da demanda, dando horizonte de crescimento para o setor privado: “Não são excludentes, são complementares”.

Juscelino Kubitscheck repetiu a receita, também usando os bancos públicos na realização do Plano de Metas, com o objetivo de acelerar a industrialização 50 anos em 5. Durante os governos militares, para vencer a desaceleração econômica ocasionada pela crise política do governo João Goulart, outra vez se fortaleceram as estatais: “Saímos para o milagre Brasileiro, que tinha seus problemas, mas a aceleração do crescimento foi brutal. A taxa média do crescimento era em torno de 10% ao ano. Havia uma articulação entre Estado, setor privado e bancos públicos.”

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