Caderno especial publicado em abril de 2024 e webdocumentário resgatam trajetória do engenheiro e destacam legado para a ciência, tecnologia e educação no Ceará

A morte do engenheiro e ex-deputado federal Francisco Ariosto Holanda, aos 87 anos, neste sábado, 21, em Fortaleza, reacendeu uma série de homenagens que já vinham sendo dedicadas a ele em vida.
Reconhecido como um dos principais articuladores do desenvolvimento da ciência e tecnologia no Ceará, Ariosto foi tema de iniciativas editoriais e audiovisuais que destacaram sua trajetória pública e seu legado.
Entre essas iniciativas está o caderno especial “Agir”, publicado em 2024 pelo jornal O POVO, que reuniu depoimentos e artigos de personalidades cearenses em reconhecimento à sua contribuição para o Estado. Com sua morte, o conteúdo ganha novo significado ao reforçar a dimensão histórica de sua atuação.
Caderno especial do O POVO reuniu homenagens em vida
Ao reler o caderno especial Agir, publicado pelo O POVO em 22 de abril de 2024, é constatar e admirar a trajetória de Francisco Ariosto Holanda, o engenheiro que desenhou o futuro do Ceará por meio da tecnologia social.
A publicação resgata sua essência como um “imprescindível”, destacando que sua atuação pública foi guiada pela máxima de que a educação técnica é a ferramenta definitiva para a libertação das pessoas e para o desenvolvimento do semiárido.
A edição citou dados e marcos fundamentais de seu legado, como a criação de 38 Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e a consolidação do Instituto Centec, que juntos interiorizaram o conhecimento e capacitaram milhares de cearenses.
O material também relembrou a inovação do “biodiesel social”, desenvolvido em parceria com o cientista Expedito Parente, e a implementação das fábricas-escolas, que transformaram a produção de mel, pescado e frutas em motores econômicos para as comunidades mais carentes do Estado.
Por fim, o caderno enfatiza que o reconhecimento de Ariosto — coroado com o título de Doutor Honoris Causa pelo IFCE em 2022 — reflete uma vida de consenso político e inquietação intelectual.
Por meio de manuais técnicos populares e da fundação do Nutec, ele provou que a ciência só faz sentido quando está a serviço do povo. Relembrar este caderno é, acima de tudo, celebrar um homem que nunca separou a inovação tecnológica da justiça social.
A publicação foi entregue a servidores da Secitece, incluindo profissionais que trabalharam diretamente com Ariosto durante sua gestão como secretário estadual.
O material destacou o papel do ex-deputado na estruturação de políticas públicas voltadas à qualificação profissional e ao fortalecimento da ciência e tecnologia no Ceará.

Editorial destacou visão de desenvolvimento e atuação pioneira
O caderno também trouxe editorial assinado pela presidente institucional & publisher do O POVO, Luciana Dummar, que ressaltou Ariosto como um homem à frente do seu tempo. O texto enfatiza sua atuação pautada pela ética, pela inovação e pela defesa do desenvolvimento regional, destacando sua capacidade de integrar poder público, academia e setor produtivo.
“Falar sobre Ariosto Holanda é falar sobre uma atuação responsável e eficiente na vida pública. É falar sobre inovação, tecnologia, ciência e educação profissional. É falar sobre Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec). É falar sobre o desenvolvimento social e econômico de um Estado que deve muito a ele”, escreve.
Webdocumentário também resgata trajetória e legado
Além do caderno especial, O POVO produziu o webdocumentário “Memória O POVO”, que inclui o episódio 23, intitulado “Ariosto Holanda, vocação de servir ao povo”.
Confira o episódio do webdocumentário completo clicando aqui.
A série, realizada em parceria com o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), reúne entrevistas em primeira pessoa com personalidades que ajudam a contar a história do Ceará e do jornal ao longo de seus 95 anos. No episódio dedicado a Ariosto, são destacados lembranças, pensamentos e legados que evidenciam sua atuação como agente de transformação por meio da política e do conhecimento.
Trajetória e reconhecimento público
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, Ariosto Holanda exerceu cinco mandatos como deputado federal e ocupou cargos estratégicos no governo estadual, incluindo a Secretaria da Indústria e Comércio e a Secretaria da Ciência e Tecnologia.
Sua atuação foi amplamente reconhecida por lideranças políticas e institucionais ao longo dos anos. Após sua morte, manifestações de pesar foram divulgadas por autoridades como Elmano de Freitas (PT), Camilo Santana, Cid Gomes (PDT), Tasso Jereissati (PSDB), Evandro Leitão (PT), Romeu Aldigueri, além de representantes como Acrísio Sena e Chagas Vieira, que destacaram sua contribuição para o desenvolvimento do Ceará.
As homenagens, já registradas em vida em iniciativas como o caderno especial e o webdocumentário, passam agora a compor também a memória coletiva de um legado amplamente reconhecido no Estado.





