
*Por Assis Araújo
Era começo da década passada quando os bancários do BNB conquistaram um aumento no piso salarial, resultado de anos de lutas e greves! Esse aumento no piso criou uma fissura na curva do Plano de Cargos e Salários que, por óbvio, os trabalhadores passaram a esperar correção dos valores nos níveis da curva. O plano de cargos prevê promoção por tempo (três anos) ou por merecimento (dois anos).
O Banco, para driblar essa incongruência – o reajuste no piso sem repercussão na curva – promove depois do período de “experiência” (noventa dias) ao nível 3. Isto é, o salário de ingresso deveria ser o primeiro nível, e assim os demais receberiam incremento de 4%, o que significa um reajuste em torno de 8% em toda curva a partir do terceiro nível. No entanto, hoje, ainda consta o piso no terceiro degrau da escada salarial, daí porque os novos funcionários dão um salto para o nível 3.
É necessário atualizar a curva a partir do valor do piso inicial, de ingresso.
O outro problema da curva é o represamento no nível 18. Aqui se acumulam ano a ano mais trabalhadores que estancam sem mais possibilidade de promoção, visto que se trata do último nível da curva do PCR. Este é um questionamento justo por parte da categoria, tendo em vista a falta de perspectiva de promoção; e do ponto de vista do Banco, desincentivo, que deve ser motivo de preocupação empresarial, sobretudo para um banco de desenvolvimento! Consta nessa situação muita gente aguardando por uma solução que, inexoravelmente, passa pelo aumento na quantidade de níveis. Simples assim. Detalhe: o salto abrupto ao nível 3 antecipará a chegada ao nível 18 em 4 a 6 anos.
Entra ano e sai ano, e daqui a pouco chegaremos a 20 anos sem um desfecho para nosso Plano de Cargos e Salários. Por que será que é tão difícil resolver o problema? Será falta de recursos financeiros? Será falta de vontade política em fazê-lo? Ou é uma decisão deliberada em assim permanecer?
Os resultados levam a crer que a Instituição tem margem suficiente para pensar uma engenharia financeira que resolva o problema do plano de cargos ao tempo que promova a inversão da lógica de uma empresa de mercado para um banco de desenvolvimento, ou seja, priorizar cargos a funções como estratégia e fortalecimento de uma visão de Estado.
O caminho adequado ao setor público, no sentido de preservar os recursos do povo, é ter como objetivo a valorização de planos de cargos e salários, visto que é a estabilidade de emprego e qualidade de vida saudável que permitirão maior zelo e vigilância dos bens públicos, também na medida em que os trabalhadores se veem partícipes da gestão estatal. Desse modo, é urgente inverter a lógica atual da prioridade em funções comissionadas em detrimento do plano de cargos.
*Por Assis Araújo – Diretor de Organização e Finanças da AFBNB










