Semana de Mobilização em defesa dos trabalhadores e do BNB

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No livro O mito do desenvolvimento econômico, Celso Furtado afirma que “os mitos têm exercido uma inegável influência sobre a mente dos homens que se empenham em compreender a realidade social”. Celso Furtado fala do mito do desenvolvimento econômico, do mito do progresso e de outros mitos que se alinham a ideologias que prevalecem em determinado contexto social.

A história recente do país, assim como a própria história do Banco do Nordeste do Brasil, nos mostra que os mitos não devem ser inquestionáveis, ao contrário, precisam ser trazidos para a realidade, compreendidos dentro do jogo de interesses vigente e superados. Por exemplo, o BNB surgia, há 73 anos, como uma das respostas ao problema da seca – ela própria construída enquanto um mito, quase onipotente, irredutível, e usada como pano de fundo para a indústria da seca, responsável pelo poder político e econômico de determinados grupos.

A seca é um exemplo de mito desmascarado, quando confrontada com políticas públicas de convivência com o semiárido, de aproveitamento de potencialidades como energia eólica e solar, de fortalecimento da agricultura familiar, e nessa mudança de concepção o BNB desempenhou e segue desempenhando um importante papel!

O Banco é o principal, se não o único, instrumento de desenvolvimento da Região; responsável pelo maior Programa de Microcrédito Produtivo e Orientado da América Latina, por programas com foco nas mulheres, no financiamento de energia solar, e agora mais recentemente pela parceria no Acredita no Primeiro Passo, programa do Governo Federal voltado à inclusão produtiva de empreendedores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).

Ao longo de sete décadas tem sido um porto seguro para grupos que historicamente seriam excluídos do sistema financeiro, além de fornecedor de mão de obra qualificada para inúmeros cargos nas esferas municipal, estadual e federal do Governo. Imagina-se, portanto, que trabalhar em uma instituição com tamanha relevância social seja um oásis em meio ao ambiente tóxico dos demais bancos. Ou será esse outro mito que está sendo desvelado?

A realidade no BNB hoje, do ponto de vista das condições de trabalho, é bem complexa. A começar pela existência de muitas instituições dentro de uma só: há o BNB dos grandes centros, o das superintendências, o das centrais, o dos trabalhadores de campo, o das agências longínquas, o dos prédios luxuosos e o dos locais insalubres, o dos trabalhadores reconhecidos e o dos adoecidos pela cobrança de metas abusivas, pelos assédios, pelos sistemas deficitários. Mas alguns problemas atingem a todos, por exemplo, a defasagem no Plano de Cargos e Remuneração (PCR), que após atingir os 18 níveis deixa o trabalhador estagnado. Ou o Plano BD/CAPEF, que afeta trabalhadores da ativa e aposentados. Ou processos internos nada transparentes. Ou mesmo as ameaças que rondam o FNE ou as ingerências políticas que comprometem a própria existência do BNB e por conseguinte, todos os trabalhadores.

Para discutir, refletir e agir em busca de respostas para todos esses problemas, está a Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB), atuante há 39 anos no cumprimento de sua missão: atuar na preservação do BNB, enquanto indutor do desenvolvimento nordestino; trabalhar pelo desenvolvimento do Nordeste, através do combate às desigualdades sociais e defender os interesses de seus associados nas relações de trabalho com o BNB.

Acreditamos na força da coletividade, no papel social do BNB e na certeza de que uma instituição só é forte se seus trabalhadores forem valorizados! Só a luta muda a vida!

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