AFBNB em defesa da vida: retorno às atividades presenciais somente após o fim da situação de pandemia

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Considerando o presente quadro de grande incidência do Covid-19, com o recrudescimento dos índices de letalidade, a AFBNB está reafirmando o entendimento já manifestado algumas vezes (relembre aqui) de que não é prudente o retorno dos funcionários que se encontram no regime de teletrabalho monitorado às atividades presenciais neste momento.

Assim, a Entidade fundamenta que a medida anunciada pelo Banco com esse direcionamento é precipitada, diante dos números oficiais e prognósticos em torno da moléstia.

Dessa forma mais uma vez a Associação está buscando a interlocução com o BNB em torno da questão. Para tanto, encaminhou um ofício nesta terça-feira(4) por meio do qual faz a devida fundamentação a respeito e reafirma a intensificação das medidas preventivas e o retorno somente após o fim da situação de pandemia nos termos declarados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Veja o teor do ofício na íntegra:

Fortaleza-CE, 4 de maio de 2021.
Ao Senhor
Romildo Carneiro Rolim
Presidente
Banco do Nordeste do Brasil
Nesta
Assunto: Pandemia – medidas preventivas e defesa da Vida

 

Prezado Presidente,
A AFBNB tem acompanhado desde o primeiro momento, enquanto entidade representativa dos trabalhadores, as ocorrências da pandemia do novo coronavírus, por meio da interlocução permanente junto ao BNB com vistas à redução dos impactos e à preservação das vidas.
Nesse contexto, mais uma vez, vem se manifestar acerca da questão, desta feita considerando o recente comunicado do Banco sobre o retorno dos funcionários que se encontram em regime de teletrabalho monitorado às atividades presenciais. Assim, pedimos atenção para as considerações a seguir, as quais se fundamentam também em demandas que nos têm chegado de funcionários do Banco, das diversas localidades, dos grandes centros a cidades menores.
Não diferente do que ocorreu no ano passado, mas com muito mais intensidade, diante do quadro que se apresenta no país e dos prognósticos nada animadores preconizados por especialistas, a convocação do retorno às atividades presenciais está causando muita inquietação, preocupação e até mesmo pânico. 
Nada mais natural, pois além da vivência com acometimentos/perdas de familiares, colegas de trabalho e amigos, indubitavelmente os números e previsões não permitem o contrário. Estamos inseridos numa realidade em que os casos de contaminação pelo coronavírus só aumentam, com a consequente elevação da incidência de letalidade. O país não conta ainda, lamentavelmente, com uma política de vacinação em massa, o que compromete a possibilidade de achatamento da cadeia de contaminação, haja vista a distância abissal entre o número de vacinados e não vacinados. Isto contribui para o recrudescimento do contágio, principalmente para a proliferação de novas variantes do vírus, o que torna as pessoas cada vez mais expostas diante da inexistência de uma cultura efetiva de distanciamento social.
Neste contexto, a Associação reitera que as medidas internas adotadas se constituem por demais importantes e eficazes na busca pela mitigação do problema. Assim, reitera o entendimento de que se faz necessário dar continuidade, enquanto durar a situação de pandemia. Dessa forma, pedimos vênia para caracterizar que um possível retorno às atividades presenciais nessa conjuntura representa uma temeridade e não se coaduna com o que a realidade expõe com a devida exigência de cuidados necessários, pelo estágio ainda sem controle da contaminação.
Não há dúvida de que o quadro ideal seria o retorno após a aplicação da 2ª dose da vacina o que, em tese, enseja imunidade. Mas, infelizmente, não é o que ocorre, segundo a ciência, diante do fosso entre vacinados e não vacinados, em que mesmo os contemplados com o antídoto ainda estão sujeitos aos riscos, se não aos efeitos mais complexos em caso de contaminação, mas de disseminação do vírus. Isto porque só se pode chegar à condição ideal de imunização comunitária quando se tiver uma parte substancial da população devidamente vacinada (em torno de 70%), conforme preconizam os especialistas e demais autoridades da área. Lamentavelmente, como se sabe, o país está bem distante desse patamar.   
Com base nas considerações postas, manifestamos entendimento contrário ao direcionamento apontado pelo Banco por considerar que o mesmo está em descompasso com a realidade do quadro de contágio, sendo esta realidade, mais do que nunca, preocupante.
Por oportuno, ratificamos o pleito de que as medidas preventivas devam ser mantidas enquanto perdurar a situação de pandemia nos termos declarados pela Organização Mundial de Saúde.
Atenciosamente,
Rita Josina Feitosa da Silva
Diretora-Presidente

 

 

 

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