AFBNB reafirma demandas dos trabalhadores à diretoria do BNB

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Em cumprimento à prerrogativa de representação dos associados, a Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) esteve reunida com a diretoria do Banco do Nordeste na manhã de ontem (dia 4/4) para apresentar demandas da base e preocupações com questões tanto no âmbito das relações de trabalho quanto institucionais.  Pelo Banco, participaram José Gomes da Costa, presidente interino , os diretores Anderson Possa (Diretor de Negócios), Lourival Nery dos Santos (Diretor de Controle e Risco), Bruno Ricardo Pena de Sousa (Diretor de Planejamento), Thiago Alves Nogueira (Diretor de Ativos de Terceiros), Marcos Marinelli e Bibiana Colares (Superintendência de Desenvolvimento Humano), Michelly Nunes (Superintendente de Marketing e Comunicação). Pela AFBNB, a diretora-presidente Rita Josina Feitosa, os diretores Assis Araújo e Dorisval de Lima e os conselheiros fiscais Henrique Barroso Moreira e Tércio Sobral.

Rita Josina contextualizou os gestores acerca da dinâmica da Associação, do trabalho contínuo e atuação das diretorias regionais da entidade, dos encontros semestrais com os/as representantes e diálogo permanente com a base, seja através de visitas às unidades, seja por contato com os associados. As demandas apresentadas resultam dessa interação, a exemplo das contidas no ofício entregue ao presidente e ao diretor de planejamento solicitando a suspensão do pagamento do CDC, revisão da política de avalista para contratação de CDC por parte de aposentados (confira ofício aqui), além do empréstimo de férias e da metodologia adotada pela Capef de determinar a margem de EAP para aqueles com tempo de aposentadoria, considerando o valor a ser recebido da Caixa de Previdência no futuro, o que não corresponde à realidade financeira do trabalhador no ato da contratação. Na oportunidade foi indagado sobre o crédito da PLR, haja visto já ter ocorrido a AGO. Sobre este assunto o Banco informou que fará comunicação aos funcionários em tempo hábil. Em relação às demais, se comprometeu em analisá-las.

Centros Culturais – A AFBNB questionou se estaria havendo mudanças na política cultural do BNB, em especial dos centros culturais, tendo em vista notícias na imprensa dando conta de alterações no Centro Cultural de Juazeiro do Norte (CE). A Associação lembrou que há pouco tempo acompanhou mudanças nessa política cuja repercussão foi negativa para o Banco. Segundo o Banco, não haverá desinvestimento e sim realocação de prédio onde as atividades do Centro Cultural serão desenvolvidas.

Estrutura das agências – Os dirigentes da AFBNB citaram a necessidade urgente de melhorias na estrutura de algumas agências, citando como exemplo Sobral (CE) e Pinheiro (MA). De acordo com o diretor de Planejamento, Bruno Pena, o Banco passou os dois últimos anos fazendo apenas reparos emergenciais, mas que para este ano de 2022 há um plano de ação para reforma e atualização de mais de 35 agências. O gestor afirmou ainda que o Banco não tem contingenciado recursos para reforma de prédios.

Reestruturação das agências (enquadramento de novas funções) – A Associação enfatizou a demanda pela necessidade de extensão – para além de 1° de maio próximo – dos prazos estabelecidos para a avaliação e enquadramento, no sentido de que os funcionários possam buscar melhores performances, na perspectiva de serem enquadrados nas correspondentes novas funções. Citou como exemplo as funções de GSN e GSO, as quais foram extintas nesse contexto.

Processos internos – A Associação destacou relatos recorrentes de trabalhadores de diferentes Estados acerca da não observância aos instrumentos e mecanismos internos, a exemplo dos processos de concorrência e comissionamentos/descomissionamentos. A Associação citou exemplo desse tipo de ocorrência: em Sobral a gerente, de forma unilateral, descomissionou a gerente-executiva sem qualquer motivo plausível, inclusive sem observância da avaliação de desempenho da funcionária que é satisfatória (a mesma está na função há 10 anos).

O assunto foi tema de reunião na agência da qual participaram a AFBNB e o Sindicato dos Bancários com a equipe que está insatisfeita e intranquila com a situação.  Rita Josina ressaltou que tudo isso deixa os trabalhadores apreensivos, dá margem para práticas de assédio moral, cria um clima de incertezas e ansiedade, o que enfraquece o Banco. Ela citou casos de unidades onde os processos estariam sendo atropelados. “Há relatos que nos chegam de que as pessoas estão sendo avisadas que a partir do dia seguinte não existirá mais a sua função ou mesmo a sua unidade de trabalho e que são orientados a procurar outra lotação no Banco. Isso é preocupante, pois gera um clima de medo que é uma cultura incompatível com um banco de desenvolvimento”.

Os dirigentes da AFBNB também citaram a notícia veiculada na intranet de que os gestores do Banco estariam sendo capacitados para identificar transtornos mentais e emocionais, o que gerou preocupação nos trabalhadores que temem perseguições nas suas unidades e questionam a validade da medida já que em alguns casos o surgimento de transtornos se dá a partir de direcionamentos superiores ou utilização das ferramentas, como o Convergente, como instrumentos de desqualificação  e perseguição aos trabalhadores.

A Associação abordou ainda os relatos de substituições de função que não são efetivadas, situação que fragiliza os processos do Banco. Para a AFBNB, a efetivação na função possibilita o cumprimento dos protocolos e um maior comprometimento, além da efetividade do próprio plano de função.

Ainda sobre questões internas, o diretor de comunicação da AFBNB, Dorisval de Lima, foi enfático ao abordar sobre os constantes vazamentos de informações para a imprensa – fato já pautado pela Entidade – algumas delas estratégicas, o que só é possível ocorrer de dentro para fora do Banco. Para ele, casos como esse podem configurar improbidade administrativa, vez que causa exposição desnecessária de uma instituição séria como é o BNB.

FNE – Rita Josina abordou a ação institucional da AFBNB, em específico a que se refere ao FNE, objeto de disputas e brigas políticas desde sua criação. A presidente citou que a Associação está vigilante nesse debate, se posicionando pela defesa e exclusividade de operação do Fundo pelo BNB. O presidente do BNB afirmou que o Banco aplica o FNE como a legislação exige e que todas as auditorias e órgãos de controle aprovaram as contas do Fundo. Segundo ele, os resultados do FNE são crescentes e cresceu 60%. Para o diretor de planejamento do BNB,  Bruno Pena, o desafio está em encontrar mais recursos para atender às demandas, além do FNE. Ele destacou a importância da AFBNB em vigiar e estar atenta a esse tema.

Microcrédito – A AFBNB pautou o programa de microcrédito, enfatizando sua trajetória e expertise construída ao longo das décadas, assunto já abordado em reuniões anteriores. A entidade falou da necessidade de reafirmar o maior programa de microcrédito da América Latina diante das recentes investidas quanto a sua operacionalização. Segundo o Presidente do BNB, José Gomes da Costa, o microcrédito continua forte e com participação significativa no resultado do BNB (em torno de 40%). Para ele, a inadimplência apresentada (3,5%) remonta ao cenário pós pandemia.

O presidente do Conselho Fiscal da AFBNB, Henrique Moreira, ressaltou que a gestão do programa é tão importante quanto a metodologia, reforçando a necessidade de um esforço para reaver o propósito de microcrédito enquanto instrumento de desenvolvimento regional. Para Henrique, “a meta não deve ser resultado financeiro exclusivamente”, alertando para a urgência de se pensar uma estratégia de redução da inadimplência, estímulo e valorização dos trabalhadores do Programa.

A AFBNB questionou a informação de que parte das operações de MPE iriam para o microcrédito, e cujo projeto piloto estaria sendo implantado nas agências de Juazeiro/BA e Crato/CE. O presidente do Banco confirmou a informação justificando o objetivo de aproveitar a expertise do microcrédito para dar celeridade a Pronaf e MPE, liberando espaço para as agências prospectarem novos negócios. Para a AFBNB a medida traz extrema preocupação por vários motivos: o cenário político atual, de tentativas de retirada do microcrédito do BNB; a terceirização ainda maior dos serviços; a fragilização das agências, uma vez que algumas praças podem não gerar novas carteiras  e acabar por desinvestir pessoal e mesmo levar ao fechamento de agências. Isso vai na contramão das bandeiras defendidas pela AFBNB, entre elas o aumento de capilaridade do Banco, com mais agências, realização de concursos e valorização dos trabalhadores.

Avaliação – A Associação, ao longo de sua história, busca agir permanentemente com prudência e responsabilidade, pautando as questões com as gestões do Banco sempre na perspectiva de encontrar formas de tornar o clima mais tranquilo e os processos mais transparentes. Assim, destaca que o Banco precisa investir mais na comunicação com os trabalhadores, de forma a evitar que os boatos prevaleçam e gerem desinformação. Para Rita Josina, “precisamos aperfeiçoar os processos, implementá-los e sermos coerentes na sua implementação. Isso traz segurança tanto para a instituição quanto para o trabalhador e contribui para um clima organizacional saudável, fundamental para todos, mas imprescindível para uma instituição que trabalha um tema tão relevante como é o desenvolvimento regional”.

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