Assédio moral: prática nociva ao trabalhador

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O assédio moral leva ao adoecimento. Nas agências, a realidade é assustadora. Além da dor física e problemas visíveis, a doença psicológica é cada vez mais comum. E, às vezes, o fim é trágico.

Pressionada desde o início da carreira quando entrou como estagiária do então banco Real, em 1998, uma funcionária do Santander tomou, pela quarta vez, um coquetel de antidepressivos como forma de alívio. Com depressão crônica e síndrome do pânico, o ápice foi quando viu o resultado da última perícia feita no INSS no início de junho, após dois anos de afastamento.

Apesar de estar sem condições psicológica e física, de forma irresponsável, foi considerada apta a retornar ao trabalho. Depois de 70 dias internada na UTI e três cirurgias para tentar reverter as consequências, a bancária faleceu no dia 17 de agosto. Deixou marido e dois filhos.

O caso da funcionária do Santander é mais um motivo para que a categoria e as entidades representativas se decrucem sobre o assédio e todas as suas faces e como pode interferir no suicídio. O Setembro Amarelo é uma boa oportunidade.

Descaso 
Além da pressão diária para bater as metas, a funcionária chegou a receber ligação do gerente para voltar ao trabalho enquanto estava de atestado após cirurgia. O medo de ser demitida pairava e a cobrança por parte do Santander não diminuía.

Em uma das vezes que foi levada para a emergência por colegas da agência, o diagnóstico dado pelo médico foi fibromialgia – uma síndrome comum que a pessoa sente dores por todo o corpo durante longos períodos. Sempre com dor de cabeça e dores no estômago, em 2014, em consulta com um infectologista relatou o que sentia e começou a chorar. Neste momento foi orientada a procurar o psiquiatra para começar o tratamento de depressão.

Com quadro delicado, o resultado esperado pelo casal na última perícia da bancária era outro: a aposentadoria por invalidez. Foi o que revelou o marido, ao contar que teve de levar a esposa de cadeira de rodas para a sala do perito, porque ela estava em pânico e mal conseguia andar. “Mesmo assim, o INSS a mandou de volta para o banco”.

O caso da funcionária do Santander é um dos milhões que acontecem na categoria bancária e mostra que combater o assédio moral deve ser prioridade em todas as empresas. A prática não apenas adoece. Ela mata.

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