Bancários cobram ações para garantir a igualdade de oportunidades nos bancos

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14.03.23 mesa igualdade de oportunidades nancy d6826

Em reunião com a Fenaban nesta terça-feira (14/3), o Comando Nacional dos Bancários cobrou ações para garantir que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades de trabalho e ascensão profissional no setor financeiro. Os trabalhadores reivindicaram o aprimoramento dos canais contra o assédio e mais informações sobre o programa de assistência às mulheres vítimas de violência doméstica, uma importante conquista da categoria.

A retomada da mesa sobre igualdade de oportunidades começou com a apresentação de um relatório do Dieese sobre a situação do trabalho nos bancos. O documento, exposto pela técnica Rosângela Vieira, mostrou que no mercado de trabalho as mulheres ganham, em média, 21% menos que os homens. Na categoria bancária, a desigualdade é um pouco mais aprofundada: a remuneração delas é 22,2% menor que a média dos colegas do sexo masculino. “Ao analisar o recorte racial, verificamos que a remuneração da mulher preta é, em média, 40,6% inferior à remuneração do homem bancário branco”, pontuou Rosângela.

Outro destaque foi que a diferença salarial entre homens e mulheres piora conforme aumenta o grau de escolaridade. No caso de trabalhadores com ensino médio completo, por exemplo, as mulheres recebem em média 80,6% do salário dos homens. Entre os trabalhadores com doutorado, elas recebem 78,5% do salário dos colegas.

O Dieese mostrou ainda que na movimentação do emprego bancário, em 2022, houve favorecimento do sexo masculino, com abertura de 3.933 vagas para eles e a eliminação de 1.106 postos de trabalho entre as mulheres. “As admissões de mulheres foram 19,1% menores que a dos homens. E os desligamentos 5,4% superiores entre as mulheres, resultando assim no saldo negativo”, explicou Rosângela.

O levantamento também revelou que apesar do aumento de 70,4% de profissionais da Tecnologia da Informação (TI) contratados pelos bancos, entre 2012 e 2021, a proporção de mulheres na área caiu de 31,9% para 24,9% no mesmo período.

“Os dados do Dieese só confirmaram o que sabíamos: as mulheres continuam a receber menos que o homem na mesma função, as mulheres são minorias nos bancos; na área de TI e mais mulheres perderam postos de trabalho. Isso ratifica que é de grande importância termos essa mesa de discussão- Igualdade de Oportunidade, pois mostra o raio X da categoria, principalmente na busca da igualdade de gênero”, ressaltou a diretora para Assuntos de Gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Nancy Andrade, que participou do encontro por videoconferência.

Avanços

Após a cobrança dos bancários, a Fenaban se comprometeu a acolher as pautas da categoria para o combate à violência de gênero e contra a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho. Afirmaram também que vão aprimorar os canais de acolhimento às vítimas de violência na família ou no ambiente de trabalho.

O representante da Fenaban, Adauto Duarte, prometeu ainda levar um resumo da reunião desta quarta para direção dos bancos e marcar uma reunião com as áreas de recursos humanos para discutir a questão da queda na contratação de mulheres, especialmente nas áreas de TI. Além disso, ficou acertado um encontro, no dia 30 de março, com representantes dos bancos, do movimento sindical e com as ONGs contratadas pelos bancos para implementar as propostas contra assédio.Serão apresentadasa ainda as medidas para combater a diferença de oportunidade entre homens e mulheres.

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