Carta aberta ao presidente do BNB

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Prezado Presidente Marcos Holanda,


 


 


Já decorreram 16 meses desde que V. Sa tomou posse na presidência do Banco do Nordeste do Brasil. Acreditamos ser tempo suficiente para perceber e identificar os desafios que a instituição enfrenta no dia a dia para se consolidar enquanto órgão de desenvolvimento, haja vista ser necessário se assenhorear da missão do Banco em qualquer ocasião, sobretudo numa conjuntura macropolítica e econômica que aponta para o desmonte das empresas públicas e para ataques aos direitos dos trabalhadores, conquistados a duras penas.


 


Os ataques vêm de todos os lados: projetos de lei que objetivam compartilhar os recursos do FNE, balão de ensaio quanto à privatização dos bancos regionais, dentre tantos outros. No entanto, são os ataques internos que mais preocupam nesse momento os trabalhadores do BNB – sentimento esse incorporado pela AFBNB enquanto entidade representativa dos mesmos – pois estes minam e enfraquecem a instituição atingindo-a naquilo que deveria ser seu maior patrimônio: os recursos humanos. Acreditamos piamente que uma instituição só é forte se seus trabalhadores estiverem fortalecidos, inclusive para defendê-la contra o que vem de fora. Mas isso não tem ocorrido no BNB; ao contrário!


 


Constantemente a AFBNB recebe denúncias associadas a práticas de dano e de assédio moral, vindas de funcionários que trabalham além do horário sem receber a remuneração devida em decorrência da carência de pessoal, de trabalhadores adoentados e fragilizados emocionalmente devido a situações delicadas de endividamento – as quais atribuímos, dentre outros fatores, ao Plano de Cargos e Remuneração (PCR) deficitário e repleto de anomalias, e à não reposição das perdas salariais. 


 


Conferimos in loco situações inaceitáveis de trabalho, agências com condições insalubres, quentes, sujas, que nada lembram uma instituição voltada ao desenvolvimento. Além disso, falta isonomia de tratamento, falta aposentadoria digna, falta atendimento de saúde adequado; lamentavelmente sobram metas intangíveis, pressão…


 


Não é demais enfatizar que toda essa situação ocasionou o presente quadro de greve no Banco, como tem ocorrido durante os últimos anos, exatamente pela postergação de medidas quanto à solução dos referidos problemas.


 


Nesse sentido, é compreensível que estar em greve não é estar contra o Banco; é estar a favor de melhorias (para as pessoas e para a instituição)! É o mesmo que dizer à V.Sa: não estamos satisfeitos. Não se pode e nem se deve ignorar uma situação em que os trabalhadores são obrigados ao constrangimento de terem de parar suas atividades. E V.Sa, na qualidade de servidor público, vinculado a uma universidade federal, certamente compreende isso, assim como compreende os impactos que a greve causa para a sociedade nordestina, já tão sofrida em consequência da fragilidade das políticas públicas.


 


A lista de demandas é imensa e os motivos para superá-la são maiores ainda. Assim, diante desse quadro, a Associação reitera as preocupações tantas vezes expostas e ratifica a necessidade urgente de negociação específica com propostas que apontem para avanços reais e imediatos. 


 


O BNB, por toda sua história, não pode ser tratado como uma instituição qualquer! O processo de negociação coletiva de questões importantes para o seu recursos humanos não deve ser regido por uma instituição privada que não tenha propriedade para tal, ou seja, que não os representa – no caso, a Fenaban. O Banco é maior do que isso e pode, sim, sair na frente em respeito aos seus funcionários. 


A administração do BNB tem a responsabilidade e o dever de ser protagonista e implementar ações de reconhecimento e valorização dos seus trabalhadores.


 


Por negociação específica e positiva já!


Source: Notícias – 300

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