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Congresso Anapar: Saúde Suplementar pode fortalecer o SUS

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No 21º Congresso da Anapar, o médico sanitarista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Gonzalo Vecina Neto, falou sobre SUS, pandemia e Saúde Suplementar.

Francisca de Assis, diretora de Saúde da Anapar, explicou que a Diretoria de Saúde da entidade foi criada por causa de novas resoluções do governo sobre saúde suplementar, que afetam diretamente muitos dos segurados que também têm previdência suplementar. Principalmente os associados ligados a empresas públicas.

De acordo com Gonzalo Vecina, nem só seguridade e saúde privada são correlatas, mas também a saúde pública de todo o País. O professor conta que o Sistema Único de Saúde do Brasil, o SUS, é um projeto relativamente novo na história brasileira.

Surgiu com a Constituição de 1988, mas foi gestado desde a década de setenta por pessoas da área que possuíam a ideia do que seria adequado para o Brasil. Logo, o SUS é fruto de uma concepção coletiva e não é exclusivamente brasileiro. Foi uma política pensada, observando o que dava certo em outros países: “Olhamos para o mundo, copiamos o que existia de exitoso em outros países, principalmente a Inglaterra”, explica Vecina.

E a Saúde Suplementar?

Paralelamente ao SUS, que tem por princípio a universalidade, ou seja, o atendimento a todos os brasileiros, existem os projetos de assistência privada.

Entretanto, engana-se quem acredita que eles são todos iguais. Um destes projetos – discutido no Corgresso da ANAPAR – refere-se aos planos de saúde coletivos e com autogestão criados pelos trabalhadores das empresas públicas.

Até hoje, segundo Vecina, nunca foi possível conciliar esses planos e o SUS. Contudo, o médico acredita que é importante conseguir achar pontos de contato entre eles e assim melhorar o atendimento para todos. No mesmo sentido, Vecina afirma que a melhor alternativa para o SUS não é negar a assistencia suplementar, mas achar contatos e criar uma possível sinergia.

O que há hoje?

O SUS alcanlçou muitos sucessos no Brasil. Por exemplo, o programa nacional criado por ele realiza 95% dos transplantes de órgãos no País. Assim como o programa nacional de imunizações, que oferece 23 vacinas diferentes a toda a população. No mesmo sentido, há a entrega de medicamentos de alto custo, cuja cifra é de quase 100% dos tratamentos fornecidos pelo SUS.

O programa de combate e tratamento ao HIV/Aids também obteve grande sucesso. Atualmente, temos no país 800 mil com HIV que são atendidos integralmente pelo SUS. De consultas multiprofissionais à distribuição de medicamentos.

Porém, o SUS está em risco é há a necessidade de melhorar a capacidade do Estado brasileiro de fazer gestão. Na opinião do médico, é preciso reformar toda a administração. Nesse sentido, o que causa mais preocupação é o financiamento do SUS. E tem se investido mais no setor privado do que no SUS, se formos contar o investimento per capita ao ano. De acordo com Vecina, são cerca de R$ 4.000,00 no sistema de saúde suplementar e R$ 1.000,00 no SUS, ao ano.

A saúde pública na pandemia

A pandemia de coronavírus não poderia ficar fora dessa discussão. Atualmente, ela é o desafio de saúde pública mais preocupante em todo o mundo, mesmo com as diferenças de estágio em cada país.

De acordo com Vecina, o SUS teve mais acertos do que erros, e olhou para a experiência de outros países mais uma vez. E afirma que os fracassos se devem principalmente à estrutura de desigualdade do Brasil.

Outro assunto cujo debate é urgente é a paralisação da atenção básica por conta da pandemia. Apesar dos avanços em número de leitos de 7 leitos de UTI por 100 mil habitantes, para 9 por 100 mil hoje, os atendimentos paralisados estão matando as pessoas silenciosamente. No País, as doenças que mais matam os pacientes são: doenças cardiovasculares 35%; câncer 20%; e a violência, 15%. Para sanar o problema, aponta que “é preciso voltar aos grandes ambulatórios que o País tem”.

E nesse momento, é fundamental o papel do Ministério da Saúde: “Precisamos reinventar essas atividades, pensar em processos que olhem para a base populacional, reescrever como fazer a assistência de saúde pública e privada”, esclarece o professor.

Há uma questão de crítica da incorporação de novas tecnologias. É necessário repensar os medicamentos de altíssimo custo e as novas tecnologias, sendo esse um assunto para o Estado resolver.

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