Custo de vida dos mais pobres piora. Em São Paulo, cesta básica sobe 8 vezes mais que a inflação

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Custo de vida para a população mais pobre é maior, com alta da cesta básica em 15 das 17 capitais pesquisadas. Seria necessário salário mínimo de mais de R$ 5 mil
Reprodução/Montagem RBA

Em São Paulo, com alta na maioria dos produtos, cesta básica custou quase R$ 600

São Paulo – Os preços da cesta básica mantêm tendência de alta em todo o país, subindo inclusive bem acima da inflação. Segundo o Dieese, em outubro o custo aumentou em 15 das 17 capitais pesquisadas. Apenas em São Paulo, por exemplo, o aumento no mês passado foi de 5,77%. No ano, os alimentos sobem 17,64%, mais do que oito vezes a inflação oficial, que soma 2,21% na região metropolitana. Em 12 meses, a cesta básica paulistana sobe 25,82%, para uma inflação (IPCA) de 3,89%. Nesta sexta-feira (6), o IBGE divulgou os dados do IPCA e do INPC de outubro, apontando nova alta dos alimentos, entre outros itens.

São Paulo e Belém são as únicas capitais onde o Dieese tem feito levantamento de preços presencial, mas com número menor de pesquisadores e em horários com menos movimento. Nas outras 15 capitais, a pesquisa é feita a distância.

Em 12 meses, até 36%

Em outubro, os preços dos produtos básicos só não aumentaram em Salvador (-1,05%) e Curitiba (-0,60%). No ano, alta em todas as capitais, variando de 3,50% (Brasília) a 26,07% (Salvador). No acumulado em 12 meses, a cesta sobe também nas 17 cidades pesquisadas, de 10,99% (novamente Brasília) a 36,08% (Aracaju), atingindo 35,86% em Goiânia, 31,89% em Belo Horizonte e 31,86% em Fortaleza.

Com base na cesta mais cara (São Paulo, R$ 595,87), o Dieese calculou em R$ 5.005,91 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Esse valor corresponde a 4,79 vezes o mínimo oficial, de R$ 1.045.

Ainda de acordo com o instituto, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta foi de 108 horas e 2 minutos, acima de setembro (104 horas e 14 minutos). O trabalhador remunerado pelo mínimo comprometeu 53,09% do salário líquido para comprar os alimentos básicos, ante 51,22% no mês anterior.

Quase tudo em alta

Produtos como o óleo de soja e o arroz agulhinha tiveram aumento de preço nas 17 capitais. O preço médio da carne bovina de primeira subiu em 16 e o do tomate, em 13 cidades.

Em São Paulo, em outubro, aumentaram os preços de tomate (23,22%), batata (20,31%), óleo de soja (14,01%), arroz agulhinha (7,62%), banana (6,15%), carne bovina de primeira (5,12%), café em pó (1,96%), manteiga (1,19%), feijão carioquinha (0,89%), açúcar refinado (0,84%) e leite integral (0,21%). O Dieese apurou redução na farinha de trigo (-5,99%) e no pão francês (-0,45%).

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