Impasse sobre comando do BNB mobiliza funcionários

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O manejo de recursos ligados ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) vem sendo alvo de interesse político nos últimos meses, a nível nacional e local: as indicações à presidência da instituição têm sido motivo de movimentação em Brasília em torno de nomes ligados ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, partido que atualmente abriga o presidente da República Jair Bolsonaro. As mudanças vêm gerando burburinho inclusive entre os servidores do banco.

Na última semana, a Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) se manifestou repudiando o chamado centrão, grupo de partidos no Congresso hoje comandado por Valdemar da Costa Neto e responsável por dar sustentação ao governo federal no Legislativo. “Segundo fofocas de quinta categoria veiculadas na mídia, insistem em tratar o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) como instrumento dos seus interesses mesquinhos. Tais intrusos da missão do Banco e da questão do desenvolvimento regional – essência da razão de existir da Instituição – têm promovido um vergonhoso pugilato fratricida na tentativa de emplacar nomes para a ocupação de espaços na estrutura da gestão superior do BNB, certamente com o olhar em faturas, o que é muito peculiar dessa prática fétida”, escreve a entidade.

Os funcionários também repudiam o que identificam como “irresponsáveis ‘da casa’”, pessoas da estrutura do próprio Banco do Nordeste que compactuam com as movimentações políticas que levam às mudanças no comando da instituição: “Igualmente instigados pelos mesmos interesses se sujeitam a tal comportamento, fazem coro e os abastecem com ilações e mentiras, conscientes da instabilidade institucional que isto acarreta e que poderá lhes render algum saldo.” “O BNB, os trabalhadores e a sociedade são maiores do que essa escalada desqualificada, imoral e mequetrefe. Assim exigem respeito. Tirem as garras sujas de cima do BNB!”, finaliza a Associação.

Valdemar da Costa Neto tenta emplacar a indicação do economista José Gomes da Costa, que hoje ocupa o cargo de diretor financeiro e de crédito, para a presidência. A mudança, conforme circula nos bastidores, envolveria ainda a alteração de pontos no estatuto da instituição financeira, de modo a viabilizar o nome de Ricardo Pinto Pinheiro, que já chegou a ser indicado por Valdemar em ocasião anterior.

Retrospectiva
O comando do BNB é considerado estratégico, sendo ele o principal banco regional no Brasil, devendo ainda ter papel fundamental para a implementação do programa de microcrédito proposto pelo governo federal. A cadeira da presidência da instituição é ocupada interinamente desde meados de 2021, quando a pressão exercida pelo comandante do PL resultou na destituição do cearense Romildo Rolim. Anderson Possa, apoiado pelo PP, assumiu em seu lugar.

O imbróglio no banco veio à tona após Valdemar criticar um contrato assinado pelo banco que estava em vigor desde 2003. Em um vídeo divulgado por ele nas redes sociais poucos dias antes da troca, o político deixou claro que a indicação da cúpula do órgão é do PL. Rolim, presidente exonerado, comandava o órgão desde 2018.
O pedido de exoneração de Rolim e de toda a diretoria do banco teve como pano de fundo a vontade de Valdemar de trocar a cúpula do órgão e uma denúncia de supostas irregularidades recebida pelo governo na gestão de recursos de um instituto contratado pelo BNB. Bolsonaro recebeu notícias que foram publicadas no Ceará com a denúncia e cobrou explicações de Valdemar. Antecipando-se a uma decisão do Planalto, ele decidiu gravar um vídeo pedindo a demissão de toda a diretoria do banco.

Segundo integrantes do Planalto, com a denúncia, descobriu-se que a Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) contratada para gerenciar microcréditos, que fazem o dinheiro chegar à ponta e são estratégicos em momento eleitoral, é gerenciada por uma pessoa filiada ao PT, o que irritou ainda mais o presidente. Politicamente, o Planalto avaliou que essa era uma forma de o PT continuar controlando recursos que vão parar nas mãos das populações mais carentes. A Oscip é o Instituto Nordeste Cidadania (Inec), entidade que tem pessoas ligadas ao PT na gestão.

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