“Manaus está dizendo para o Brasil: ‘Cuidado, sou você amanhã'”, alerta Nicolelis

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Somente um lockdown nacional imediato e ações coordenadas entre os governantes de todas as regiões do país impediriam o Brasil de chegar a um cenário ainda mais trágico do que o vivido na primeira onda de proliferação do coronavírus.

A defesa contundente é feita pelo neurocientista Miguel Nicolelis, um dos principais nomes da pesquisa científica do país e coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, criado para traçar estratégias de combate à covid-19.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Nicolelis afirma que prognósticos negativos feitos no fim do ano passado já se confirmaram logo nas primeiras semanas de 2021.

Com a quebra de recordes semanais no número de contaminações e taxas de internação ascendentes em todas as regiões, o Brasil está entrando na pior fase da pandemia.

Neste contexto, o caos trágico vivido pela população de Manaus (AM) com a falta de oxigênio e de leitos de UTI pode, rapidamente, ser a realidade vivida em nível nacional.

“Quando se espalha isso para o país, gera-se um caos que nunca tivemos em nossa história. Por isso que estamos extremamente preocupados. Manaus está dizendo para o Brasil: ‘Cuidado, eu sou você amanhã’. Alertando a todos os prefeitos e governadores brasileiros que essa situação pode acontecer, sim, em qualquer lugar do país e já está começando a acontecer”, afirma Nicolelis.

O especialista advoga pela criação imediata de um Comitê Nacional Emergencial de Manejo da Pandemia, formado pelos governadores, pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de centralizar e unificar o enfrentamento ao vírus e lidar com todas as negociações diplomáticas e políticas necessárias para a aquisição de insumos e vacinas.

Para ele, não há dúvidas de que o Brasil deveria seguir o exemplo do Reino Unido e da Alemanha e adotar o lockdown nacional, já que o isolamento social é comprovadamente a medida mais eficaz para barrar a transmissão.

“Se tomarmos essa atitude e governantes, prefeitos, governadores ouvirem a ciência e os exemplos que funcionaram, inclusive no Brasil, ainda conseguimos reduzir o impacto dessa nova onda. Estamos na fase ascendente, ainda dá. Mas tem que acontecer para ontem”.

 

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