O capital aproveita crise para intensificar exploração do trabalho

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A pandemia do coronavírus criou um cenário difícil para aqueles que vivem da venda de sua força de trabalho. Por um lado, agravou a crise econômica e o desemprego. Por outro, vem sendo usada de forma inescrupulosa pelo patronato como pretexto para intensificar a exploração sobre a classe trabalhadora brasileira, impondo o arrocho dos salários e a retirada dos direitos.

São muitos os exemplos disto. Em São Paulo, o empresariado do ramo comercial propõe que os comerciários abram mão do reajuste salarial para recompor a inflação, o que na prática significa rebaixamento do valor real dos salários, ou seja, da capacidade aquisitiva dos trabalhadores e trabalhdoras.

A ideia foi apresentada ao presidente do Sindicato dos Comerciários e também da UGT, Ricardo Patah, que negocia o adiamento da campanha salarial da categoria para janeiro de 2021. O sindicalista informou que a categoria rejeita a hipótese de abrir mão da inflação e observou que, de todo modo, ela sinaliza fraqueza do comércio, indicando que a recuperação das vendas é mais tímida do que se esperava.

Os patrões do comércio não são uma exceção. Recentemente os banqueiros, que continuam extraindo altos lucros na crise, introduziram na campanha dos bancários a proposta de “reajuste zero”. A mobilização nacional da categoria fez com que mudassem de atitude.

O Dieese analisou 8.574 acordos negociados nos seis primeiros meses deste ano contra 8.827 no mesmo período do ano passado. Embora o aumento no número de acordos seja de apenas 3%, o que se nota é que em todas as cidades do País, sem exceção, houve algum tipo de negociação relacionada à Covid-19.

O estudo constatou que no primeiro semestre deste ano o número de cláusulas relativas a reajustes salariais foi 28% menor do que no ano passado, o que se traduz em redução real dos salários. Trabalhadores e trabalhadoras ligadas direta ou indiretamente ao setor público são os mais sacrificados. Os Correios aboliram várias conquistas dos carteiros.

Concomitante à ofensiva patronal o governo neoliberal de Jair Bolsonaro adotou várias medidas para facilitar a exploração patronal e avançar na empreitada de destruição do Direito do Trabalho.

O arrocho dos salários aumenta os lucros dos patrões individualmente mas é contraproducente para a economia e o desenvolvimento na medida em que enfraquece o mercado interno, esfria a demanda e, desta forma, alimenta a crise e o desemprego em massa. É prejudicial não apenas para os trabalhadores e trabalhadoras isoladamente, mas para o conjunto da sociedade e os interesses nacionais.

Na opinião do presidente da CTB, Adilson Araújo, as adversidades decorrem do projeto de restauração neoliberal imposto ao país após o golpe de 2016 pelo ex-presidente Michel Temer, que promoveu a reforma trabalhista, a terceirização ilimitada e a chamada PEC da Morte, que congelou por 20 anos os gastos e investimentos públicos primários.

Bolsonaro radicalizou este processo, impôs uma reforma da Previdência regressiva e várias iniciativas contra a classe trabalhadora, além de ofender a democracia e a soberania nacional. “Só vamos encontrar resposta para esta  ofensiva no plano político. A luta isolada dos sindicatos e das categorias é fundamental, mas não resolve. A classe trabalhadora tem de construir uma frente ampla política e formar uma maioria em defesa dos direitos, da vida, da democracia, da soberania e do desenvolvimento nacional”, afirmou o líder classista.

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