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Saldo de empregos no setor bancário foi positivo, mas maiores bancos continuam extinguindo vagas

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Desde abril de 2021, a trajetória do emprego formal no setor bancário tem apresentado criação de postos de trabalho. De janeiro a outubro, verifica-se a criação de 5.121 postos de trabalho. Mas esse total deve-se principalmente às contratações na Caixa por determinação da Justiça (mencionadas acima); e deve-se também a uma ampliação de postos de trabalho não ligados diretamente às áreas mais tradicionais dos serviços bancários, como os de profissionais de TI. No acumulado dos últimos 12 meses, houve aumento de 1.271 postos de trabalho na categoria.

“O que se percebe ao analisar os dados do Caged é que o saldo positivo de empregos não significa aumento de contratações para as funções tradicionais de bancários. O que o setor está fazendo é contratar mais profissionais de TI, uma consequência da digitalização dos serviços bancários. Mas os maiores bancos, com exceção da Caixa que este ano foi obrigada a chamar os concursados de 2014, continuam extinguindo empregos, principalmente nas agência físicas. Ou seja, a categoria continua sobrecarregada, adoecendo, e o atendimento presencial da população continua sendo relegado a segundo plano pelos bancos.”

A dirigente também destaca que os trabalhadores contratados para a TI são, em grande maioria, terceirizados.

“São trabalhadores contratados pelo banco, porém sem os direitos da categoria bancária. Não têm a cobertura da Convenção Coletiva, não tem os direitos conquistados pela categoria ao longo de anos. É uma contratação fraudulenta de mão de obra, porque são trabalhadores que prestam serviço para bancos, mas estão sendo contratados de forma terceirizada.”

Remuneração média

O salário mensal médio de um bancário admitido em setembro foi de R$ 5.014,59 enquanto o do desligado foi de R$ 5.207,72, ou seja, o admitido entra ganhando 96,3% do que ganhava o desligado. Isso mostra que os bancos continuam ganhando com a rotatividade.

Desligamentos por pedido dos empregados

Outro dado interessante mostra que o número de desligamentos por pedido do empregado no setor bancário tem aumentado nos últimos meses. No início da pandemia até outubro de 2020, o número de desligamentos por pedido representava em média um quarto do total dos desligamentos. Em dezembro de 2020, chegou ao pico de 65,4% das demissões, e nos últimos dois meses tem superado 40% do total de desligados, ou seja, para cada dez desligamentos quatro foram motivados por iniciativa do trabalhador. Nos últimos 12 meses foram mais de 15 mil pedidos de demissão.

Em nota, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese) observa que compreender a motivação não é uma tarefa fácil, e lista como principais hipóteses: a melhoria na oferta de vagas com possível migração de trabalhadores para fintechs e corretoras de valores; facilidade de mudanças promovidas pelo home office e o esgotamento dos trabalhadores por conta de pressões com metas abusivas. “De toda forma, apenas através de uma investigação qualitativa com os trabalhadores seria possível entender este movimento”, diz a nota do Dieese.

No Brasil

Segundo o Caged, o emprego formal no Brasil apresentou crescimento em outubro de 2021, registrando saldo de 253.083 postos de trabalho. O saldo positivo ocorreu em quatro Grandes Grupos de Atividades Econômicas: Serviços (+144.641 postos); Indústria geral (+26.697 postos), concentrado na Indústria de Transformação (+23.747 postos); Comércio (+70.355 postos); e Construção (+17.236 postos). Em atividades da Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura o saldo foi negativo (-5.844 postos). Para o acumulado do ano, janeiro até outubro, o saldo positivo ultrapassa 2,6 milhões de novas vagas de emprego e no acumulado dos últimos 12 meses houve a criação de 2,8 milhões de postos de trabalho formais.

Adicionalmente, informações da PNAD Trimestral (3º trimestre de 2021) – que incorpora números do emprego formal e informal – aponta uma taxa de desocupação estimada em 12,6% da população brasileira, o que representa um contingente de pessoas desocupadas de, aproximadamente, 13,5 milhões. No período, existiam também 30,7 milhões de pessoas subutilizadas (pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a Força de trabalho ampliada). Considerando a inflação e o aumento do postos de trabalho informais, a renda real média do trabalhador teve queda recorde de 11,1% em um ano.

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