Adoecimento bancário é fruto do terror dos bancos

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Projeto revelou dados alarmantes sobre o sofrimento e/ou adoecimento dos bancários no Maranhão.

O Projeto “Escuta Clínica do Bancário”, criado pelo SEEB-MA em parceria com a doutoranda em Psicologia Social pela UNB, Solange Silva, tem revelado dados alarmantes sobre a situação de sofrimento e/ou adoecimento relacionada ao trabalho vivenciada pelos bancários do Maranhão. Do total de trabalhadores que buscaram o atendimento psicológico virtual, disponibilizado pelo Projeto, 66,7% são empregados do Bradesco, dos quais 88,9% trabalham nos Postos de Atendimento Avançado (PAs).

Em 100% dos casos, constatou-se que o início ou o agravamento do adoecimento no trabalho estão diretamente associados a uma promoção ou a uma transferência de localidade, as quais – em regra – ocorrem de modo arbitrário e sem suporte profissional, financeiro ou emocional por parte da gestão dos bancos.

Na análise dos casos, verificou-se que a vontade e a opinião dos empregados são completamente ignoradas pelas instituições financeiras, que se utilizam da ameaça e do medo para impor a promoção ou a transferência, o que tem repercutido negativamente na saúde dos bancários.

No caso do Bradesco, são precárias ou nulas as condições de treinamento e capacitação oferecidas para preparar os trabalhadores para o exercício do novo cargo/função. Sem falar que não há condições mínimas de apoio logístico e financeiro para a mudança de cidade, o que se configura mais um fator de sobrecarga financeira e psicológica para o trabalhador.

Como se não bastasse, a análise dos dados revela que o prazo para mudar de localidade é muito curto, em regra, inferior a uma semana, o que gera um estado de tensão e perturbação percebido de modo mais acentuado nas bancárias que têm filhos pequenos e em idade escolar.

De acordo com a psicóloga Solange Silva, essa mudança geográfica abrupta, arbitrária, ameaçadora e sem suporte de qualquer ordem, implica numa forte ruptura dos laços sociais e familiares dos trabalhadores, o que tem efeito perverso sobre a saúde mental. Vale ressaltar ainda, que, no caso específico dos PAs (Postos de Adoecimento?!) do Bradesco, a pesquisa demonstrou que a atuação solitária do bancário no posto ocasiona acúmulo de funções e sobrecarga de trabalho, que associados à excessiva cobrança por metas e prazos, levam os bancários a apresentarem sintomas depressivos e ansiosos.

“Por fim, é possível afirmar que as promoções/transferências feitas, principalmente pelo Bradesco, as quais poderiam ser sinônimo de reconhecimento profissional, de um modo geral e especialmente aquelas que resultam em lotação nos PAs, são fontes diretas de agravamento do estado de sofrimento, resultando em adoecimento no e pelo trabalho” – concluiu Solange.

Para a diretora de saúde e segurança no trabalho do SEEB-MA, Regina Sanches, o Projeto “Escuta Clínica dos Bancários” foi um sucesso e comprovou, cientificamente, o que o Sindicato tem denunciado há anos: “que os bancos são os grandes responsáveis pelo adoecimento da categoria, pois este decorre da política de gestão dessas instituições, baseado na pressão, no medo, na ameaça, no assédio, na sobrecarga, no acúmulo de funções, na falta de reconhecimento, no tratamento de seus funcionários como coisas, pois só pensam no lucro em detrimento das pessoas, política essa que deve e continuará sendo duramente combatida pelo Sindicato. Vamos à luta” – finalizou Regina.

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