Análise do 37° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão

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A AFBNB compartilha abaixo análise do funcionário aposentado do BNB e conselheiro eleito da Capef José Newton Fernandes acerca do 37° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, realizado dos dias 12 a 14 de setembro de 2016, em Florianópolis (SC), organizado pela ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar e destinado a gestores e conselheiros dos Fundos de Pensão, num total de 3.000 pessoas, aproximadamente.


Análise do 37° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão


Estive presente ao referido congresso, na qualidade de membro titular (eleito) do Conselho Deliberativo da Capef – Caixa de Previdência dos Funcionários do BNB, cuja participação nos oferece a possibilidade de adquirir novos conhecimentos (atuariais, econômicos, financeiros etc), a fim de que possamos desempenhar com maior embasamento as decisões a que somos levados a tomar. Agrega, ainda, pontuação para “certificação”, exigência das normas federais para gestores e conselheiros. Já havia participado de evento da espécie em 2013 e 2014, mercê de disposição da diretoria da Capef.


Os temas expostos em sessão plenária são essencialmente técnicos, sendo o mais recorrente, desta feita, as questões demográficas, com maior enfoque nos relacionados à longevidade, taxa de mortalidade e fecundidade, pelo visto grande preocupação para os fundos de pensão. É que o aumento da expectativa de vida poderá ensejar – tanto nas entidades de previdência complementar como no Regime Geral de Previdência – instabilidade nas suas reservas matemáticas.


Como era de se esperar, assuntos políticos foram também expostos, principalmente levando-se em conta o novo governo brasileiro, do qual a maioria dos palestrantes são ferrenhos defensores. São empresários, banqueiros, seus prepostos, empresas da seguridade, corretoras etc, legítimos representantes, portanto, da elite capitalista brasileira.


Referido congresso – pelo menos para mim – se reveste de grande importância, não somente pela absorção de novos conhecimentos, mas, acima de tudo, para avaliarmos o pensamento desses capitalistas, sempre focados no lucro, nas suas estratégias, mesmo que, em algumas vezes, sem a preocupação da manutenção e avanços dos direitos sociais conquistados, mormente após a Constituição de 1988, grande vitória do povo brasileiro. 


A atual expectativa de vida do brasileiro, particularmente, dádiva de Deus e dos avanços da tecnologia, notadamente da medicina, foi fortemente focada como sendo diabólico problema, para o qual poderá representar o desequilíbrio dos Fundos de Pensão, caso urgentes medidas deixem de ser tomadas, ainda que à custa de sacrifício dos assistidos e associados dos mesmos. Não vislumbram outras soluções que não a de sacrificar nossos já combalidos recursos.


Era virtual a crítica à transferência de recursos federais para os idosos e até mesmo para o segmento da educação e saúde. O 13° Salário – para eles – não é contraprestação de trabalho. Consideram que os empresários brasileiros têm medo de empregar, pois nossas leis trabalhistas são bastante rígidas e favoráveis apenas aos empregados; criticam o direito de greve e defendem descaradamente a “terceirização”. A nossa Constituição atual é muito generosa, revelando-se entrave para a aceleração da economia (sic).


São firmemente contra os sindicatos e a contribuição sindical compulsória. Posicionam-se desfavoravelmente à folga remunerada das mulheres. No mar dessas maldades – pasmem – houve quem defendesse a redução, pela metade, dos benefícios atualmente recebidos pelos trabalhadores rurais que não contribuíram para a previdência. Está em curso, segundo eles, antiprojeto visando à formação de um fundo de pensão para todos os trabalhadores – sem a participação financeira do governo e empresários – cujo patrimônio seria formado pelos atuais recursos do FGTS. Pelo visto, o sonho da casa própria deixará até mesmo de ser sonho. Foi notória a afirmação de que não existem recursos para bancar a “previdência geral”.


Afirmam, ainda, que o governo recentemente deposto é o responsável por todas as mazelas; alguns deles o aplaudiam no passado e, como “coxinhas”, agora o vilipendiam. Aclamam o atual e tais quais as “pesquisas eleitorais” induzem à percepção de melhoramento futuro do PIB, da taxa de inflação, do mercado acionário, do desemprego, enfim, de tudo, embora – sendo acólitos do “neoliberalismo”, estejam fortemente dispostos a “rasgar” a nossa constituição cidadã. São as regras do mercado calcadas em projeções – muitas vezes falaciosas – para ludibriar os investidores, principalmente os menos experientes e incautos.


Peço a Deus que o rosário de maldades dessa gente não dê certo, caso contrário penalizará cada vez mais o já sofrido povo brasileiro, levando-o inexoravelmente à sombria e perversa escravidão. Para eles, o importante é o lucro; ao trabalhador só lhe compete, apenas, oferecer seu coado sangue para gerar riquezas para satisfação de seus luxos e prazeres, aqui e alhures.


Dão como favas contadas a aprovação das reformas em curso – mascaradas como benevolentes – notadamente a previdenciária, já que a maioria dos parlamentares comunga dos seus mesmos ideais, lesando o direito conquistado do trabalhador e traindo, de forma canalhada, parcela significativa dos eleitores que os elegeram.  


REPUDIO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS ESSES RELES PROJETOS E SUAS RESPECTIVAS IDEOLOGIAS.


José Nilton Fernandes
Fortaleza, 16 de setembro de 2016


Source: Notícias – 300

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