Artigo – Parabéns, BNB

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Por JOSÉ TAVARES VENCESLAU

“”A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento
envolvido e não na vitória propriamente dita””
(MAHATMA GANDHI 1869-1948).

Associo-me, com alegria e entusiasmo, a todos aqueles que, nesta data que faz hisAtória e marca época, aplaudem, de pé, mais um aniversário do eficaz e exemplar BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB), o nosso querido CONTERRÂNEO.

Há exatos 68 anos, no dia 19 de Julho de 1952, o Presidente da República Getúlio Vargas sancionou a Lei N° 1.649 que criou o BNB. A cidade de Fortaleza-CE, capital do Estado do Ceará, foi escolhida para sediar a sua Direção Geral. A Região Nordeste, fi nalmente, dava o seu primeiro passo rumo ao desenvolvimento há muito reclamado.

Em 1954, após 2 anos do seu nascimento, o BNB iniciou o seu caminhar, e, à luz dos objetivos a serem alcançados, seu profícuo trabalho se estende pelos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e os nortes de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Na sua determinação e compromisso de promover o bem-estar dapopulação nordestina e a competitividade das empresas, conta com uma rede de Agências composta por 273 Unidades e jurisdiciona cerca de 2 mil municípios, financiando os mais diversos empreendimentos ligados à agropecuária, indústria, comércio, serviços, infraestrutura, tecnologia e turismo. Já por intermédio do CREDIAMIGO, maior programa de microcrédito da América do Sul, oferece apoio a cerca de 2 milhões de clientes
ativos objetivando a geração de trabalho e renda.

A obrigação e o desafi o permanentes do BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB) de planejar e trabalhar – mesmo com os diminutos recursos oriundos do Poder Central – para desenvolver a Região Nordeste e o seu povo representa, sem a menor dúvida, a capacidade e visão de futuro que são próprias, e responde, de forma verdadeira e eficaz, aos objetivos que motivaram a sua criação. O seu genuíno e invejado proceder é abraçado, no todo, pelo Art. 3° da Constituição Federal (1988), em especial naquilo que disciplina o Inciso III, IPSIS LITTERIS: “”Art. 3° Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III – ERRADICAR A POBREZA E A MARGINALIZAÇÃO E REDUZIR AS DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS””. Sim, “”poderosos””, REDUZIR
AS DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS. Está claro?

O Nordeste, pelo que se sabe, é uma Região. A Constituição Federal, por sua vez, continua a mesma de 5 de Outubro de 1988. É possível que as novas gerações não tenham ciência de que, no passado, em função da falta de políticas específi cas para o Nordeste, que teimam em perdurar, a nossa Região amargou épocas de atraso, de esquecimento e da escassez de compromissos razoáveis da parte do Governo Federal para com os seus maiores problemas, em particular a seca inclemente e recidiva que obrigava seus fi lhos a migrarem para terras distantes.

Hoje, graças aos céus e em função da presença marcante e modelar do BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB), temos um semiárido menos sofrido e um sertão mais próspero. O êxodo que fez história nas décadas de 1950/1970, obrigando O NORDESTINO a buscar dias melhores no Sudeste/Sul do País, arrefeceu de forma defi nitiva e deixou de promover a separação de famílias, a desesperança e as doloridas lágrimas que encharcavam os rostos inocentes de crianças e das viúvas dos muitos maridos vivos.

Ocorre que os dias recentes e acontecimentos à couro de joelho produzidos e apequenados por “”poderosos”” de estatura moral duvidosa, obriga-me a implorar junto aos VALOROSOS COLEGAS APOSENTADOS para, à luz de suas forças e na condição de cidadãos honrados pelos bons exemplos de causar inveja, gritarmos, BEM ALTO, em favor do nosso querido e inesquecível BNB. No dizer de John Milton (1608-1674) “”O POVO NÃO EXISTE POR CAUSA DO REI. MAS O REI EXISTE POR CAUSA DO POVO””.

A súplica dorida ora exposta é motivada pelo fato de, somada às recentes e imorais negociatas de “”poder”” com a utilização do nosso BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB) como uma reles moeda de troca, de há muito premedita-se, por entre corredores e salões luminosos, o seu esvaziamento a conta gotas e um possível amargurado fi m (SIM, UM POSSIVEL AMARGURADO FIM!). E, para o nosso desamparo, não ouvimos (SIM, NÃO OUVIMOS!), nem presenciamos, uma defesa enérgica e efi caz parida, EM UNÍSSONO, daqueles diplomados pelo voto nordestino e intitulados fanáticos defensores da plebe. Meu DEUS. Meu DEUS. Meu DEUS!

Faz-se necessário, quando comemora-se mais um aniversário de vida do BNB, que a sociedade regional, devidamente em comunhão com este propósito, reclame de forma enfática junto ao Governo Federal mais atenção e compromisso para com a nossa terra. Urge – JÁ, NESTE INSTANTE – que seja cobrado daqueles que ostentam o valoroso e disputadíssimo título emergido das urnas, a coragem permanente objetivando a defesa do BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB) e das investidas escusas sobre o seu caminhar e o seu existir.

Por favor, senhores “”poderosos””, aprendam a respeitar a REGIÃO NORDESTE, as suas instituições, os seus fi lhos afeitos ao trabalho e POSSUIDORES de costumes revestidos de seriedade. Sim, cidadãos exemplares que, mesmo quando tentam humilha-los, não se sentem atingidos nem diminuídos.

Eles têm caráter. Condição, aliás, escassa em casas distantes da nossa terra. Por outro lado, não são epítetos da espécie “”cabeça chata””, “”candango”” e/ou “”pau de arara”” que vão ferir o brio, a determinação e a temperança do HOMEM NORDESTINO.

Registre-se, por oportuno, que as costumeiras zombarias e dificuldades cruéis impostas ao HOMEM NORDESTINO, coadjuvadas pelo doloroso manto do esquecimento, fazem-no mais forte, indomável e da-lhe a certeza plena de que, NA VIDA, TUDO PASSA, inclusive os “”poderosos”” e as suas idiossincrasias que, costumeiramente, balizam suas “”histórias ricas”” e atabalhoadas decisões.

Eu faço parte, na condição de NORDESTINO da minha muito querida PROPRIÁ-SE, do contingente que escapou da migração que entristeceu o horizonte da nossa Região. Confesso, cheio de orgulho, que consegui sobreviver graças à mariola e às balas de banana que minha família produzia de forma artesanal.

Registro, com alegria, que aquelas guloseimas tinham um sabor único em virtude do amor (SIM, DO AMOR!) que seu Antônio e Dona Lourdes, meus genitores abençoados, ofereciam ao seu preparo e ao seu cozimento. Honra-me, da cabeça aos pés, dizer que o dinheiro apurado com a venda dos doces permitiu-me estudar no Ginásio Diocesano. Foi ali, naquela Escola que tem o condão de preparar o homem para o futuro, onde, igual a tantos outros, obtive os primeiros conhecimentos sobre O MEU NORDESTE, O MEU PAÍS e O MUNDO DO MEU DEUS que a todos protege e abençoa.

Aos 21 anos idade, pois sim, foi o momento de viver o meu êxodo. Não aquele cruel que produzia a separação de famílias, a desesperança e doloridas lágrimas. Não. A saída do meu berço natal tinha um destino certo e promissor: Fui admitido, no dia 10 de Abril de 1967, no quadro de funcionários do BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB), com lotação na Agência de Gararu-SE. Posteriormente, em decorrência dos objetivos da empresa, fui designado para trabalhar nas Unidades de Aracaju-SE, Carira-Se, Estância-SE, Floriano-PI, Lagarto-SE, N.S. das Dores-SE, Ouricuri-PE, Parnaíba-PI, Pesqueira-PE, Salgueiro-PE e Sertânia-PE.

Fiquei no BNB durante 30 anos, até alcançar a tão sonhada aposentadoria. Naquele período realizei-me como profi ssional através do trabalho e dos mais diversos cursos de alto nível que, à luz da sua política permanente de treinamento, eram oferecidos aos seus funcionários e a servidores de outras Instituições Congêneres. Aquele caminho iluminado pelo mesmo sol – E QUE DEIXOU SAUDADES IMORREDOURAS – também foi percorrido, de forma responsável e pelo incentivo continuado, por inúmeros iguais que buscavam o mesmo objetivo. Acontece que, apesar do meu desligamento, o cordão umbilical de bancário não foi e jamais será apartado. A energia que impulsionou-me por muitos anos na defesa daquele Banco modelar – IRMANADA À DE MUITOS OUTROS VALOROSOS E DEDICADOS COLEGAS – não declinou nem expirou-se.

Permito-me, neste momento de celebração e de reconhecimento, homenagear, com o respeito que fi zeram por merecer, todos quantos ajudaram a construir o nosso singular BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A (BNB), e, de modo todo especial, aqueles que não estão entre nós, a exemplo, dentre outros, de Adelmo Fontes, Antônio Lisboa, Arnobio Caneca, Dalmiro Bispo, João Exuperio, João Ulisses, José Amâncio, Mabel Aragão, Misael Praxedes e Paulo Frota.

Amparo-me, por fi m, nos ensinamentos de Mahatma Gandhi (1869-1948) – “”VOCÊ NUNCA SABE QUE RESULTADOS VIRÃO DE SUA AÇÃO. MAS SE VOCÊ NÃO FIZER NADA, NÃO EXISTIRÃO RESULTADOS”” – com o propósito de exortar a todos OS CONTERRÂNEOS que não abdicam da sua origem para, de forma pacífi ca e a indispensável união que soma, não permitirmos que os “”poderosos”” continuem arrombando a porta DOS NORDESTINOS, já danificada ao longo dos anos sem que tenhamos a coragem necessária para impedir tamanha crueldade e falta de respeito para com os interesses da nossa terra dadivosa e boa.

Orgulha-me, sobremodo, ser um genuíno “”cabeça chata””,“”candango”” e “”pau de arara”” da minha muito querida e inesquecível PROPRIÁ-SE. Que DEUS nos ajude!

JOSÉ TAVARES VENCESLAU – FUNCIONÁRIO APOSENTADO DO BNB

Publicada no Jornal da Tarde (SE) em 19 de julho de 2020

2 COMENTÁRIOS

  1. Artigo realistico que versa sobre a instalação da mais nobre instituiçao do Nordeste, o nosso Banco do Nordeste, criado há precisamente 68 anos, que veio para desbravar esse torrão sofrido, e disponibilzar mão de obra aos conterrâneos, evitando ser retirantes às plagas do sul, aonde iam ser escravizados e jamais retornar à sua terra natal.
    Honestamente, descrito com clareza e sentimento de justiça, em prol da região.
    Admirei pela coragem em defesa da permanência de nossa Instituição, pedra angular de todos nós.
    Outrossim, que o BNB deixe ser presa desses politiqueiros inescrupulosos, assim como daqueles que não sabem o que signfica o maior banco de fomento da América Latina.
    Vamos defender ferrenhamente nosso patrono exemplar.
    Parabéns, digno colega Venceslau, você descreveu tudo do fundo do seu coração, simplesmente transparente e verdadeiro.
    Grato
    Ivan Rabelo aposentado BNB.

  2. VENCESLAU, PARABÉNS PELA FELIZ INICIATIVA DE PUBLICAR ESSA VALOROSA DEFESA DO BNB. NÃO SE TEM NOTÍCIA DE NADA SEMELHANTE PARTINDO DOS POLÍTICOS NORDESTINOS.

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