Bancários cobram da Fenaban teste para a Covid-19

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A testagem em massa dos bancários para detectar possíveis pessoas infectadas pelo coronavírus esteve entre as principais cobranças feitas pelo Comando Nacional à Fenaban, durante negociação por videoconferência, nesta terça-feira (12/05). A Federação Nacional dos Bancos, no entanto, alega que os testes disponíveis no mercado não são 100% confiáveis.

Embora os representantes da empresa tenham levado dois médicos que insistiram no argumento de que os testes podem dar falso negativo, o Comando reforçou ser fundamental fazer a análise em todos os bancários, vigilantes e prestadores de serviços, para tentar conter o avanço da Covid-19. Experiências de outros países mostram que a iniciativa pode ter sucesso.

A Fenaban alegou ainda que os bancos utilizam a telemedicina para atender os funcionários sintomáticos, encaminhando para exames. Mas, muitos podem ser assintomáticos ou mesmo transmitir o vírus antes de os sintomas aparecerem.

O Comando Nacional dos Bancários solicitou ainda o reembolso do valor gasto pelo trabalhador que fizer o exame por conta própria. Os bancos garantiram a devolução do valor, nos casos com prescrição médica.

Sobre o afastamento de todos os funcionários que trabalham em agências com casos suspeitos ou confirmados de coronavírus, a Fenaban informou que não há uma uniformidade de procedimento entre os bancos. Declara que se fechar todas as unidades com casos suspeitos vai aumentar a pressão da sociedade e de órgãos como o Ministério Público, pela reabertura.

Cobrada sobre o processo de sanitização e desinfecção das agências, garantiu que realiza higienização especial, conforme protocolo da Anvisa. Se antes eram necessários alguns dias, hoje tem empresa que faz o processo muito mais rápido. O movimento sindical vai acompanhar e cobrar comprovação do método utilizado, inclusive com cerificação.

A falta de transparência na divulgação dos dados de bancários contaminados pela Covid-19 também esteve em pauta. O presidente do Sindicato da Bahia, Augusto Vasconcelos, destacou que a atitude gera pânico entre os trabalhadores. Mas, segundo os representantes das empresas, os funcionários com suspeita são afastados para exames, e os demais trabalhadores da unidade devem entrar em contato com o atendimento de telemedicina para realizar a testagem.

“É temeroso a posição dos bancos, já que existem casos, como o Santander, que flexibilizou protocolos, permitindo que agências com casos de contaminação funcionem normalmente”, destaca Augusto. Outra atitude receosa é informação de que as atividades vão voltar ao normal no dia 18 de maio, sendo que especialistas apontam que o pico do contágio no Brasil será em junho. Os bancos anunciaram, no entanto, que a data para retorno não depende de acordo coletivo.

O Comando lembrou que a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) determina acordo para assuntos sensíveis. Mas as empresas se queixaram das entidades. Alegam que os sindicatos têm mais de 600 ações coletivas na Justiça contra as organizações financeiras e que há quebra da mesa de negociação.

Com o impasse, uma nova reunião será marcada para tratar do protocolo de fechamento das agências e afastamento de suspeitos e contaminados pelo coronavírus. Além de Augusto Vasconcelos, participou da negociação, o presidente da Feeb, Hermelino Neto.

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