Dieese registrou 649 greves em 2020 e negociações difíceis também no final do ano

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O SAG (Sistema de Acompanhamento de Greves) do Dieese registrou 649 greves em 2020: 64% foram organizadas por trabalhadores da esfera privada e 30% pelo funcionalismo público.

No ano em que a pandemia do coronavírus somou-se às diϐiculdades econômicas e políticas, o número representa queda de 42% em relação a 2019.

No setor de serviços privados (326 greves), as mobilizações dos trabalhadores dos transportes (196), que envolvem principalmente os rodoviários dos coletivos urbanos, compuseram a maioria das paralisações – 60% do total.

As mobilizações dos trabalhadores de turismo e hospitalidade (53), grupo do qual fazem parte principalmente garis coletores e varredores, vêm em segundo lugar, com 16,3%.

Na indústria privada (89), os metalúrgicos cruzaram os braços 51 vezes – o que equivale a 57% das greves do setor.

Os trabalhadores da construção pararam em 15 ocasiões (17%).

Entre as paralisações do funcionalismo público (192 greves), destacam-se as gerais, envolvendo trabalhadores de diversas áreas (58). Houve ainda 55 greves na educação, 42 na saúde e 29 na segurança pública.

Mais da metade das paralisações nas empresas privadas (58%) ocorreu contra o atraso no pagamento dos salários (inclusive o 13º) e férias. Implantação, reajuste ou regularização dos auxílios (alimentação e assistência médica) foram a segunda motivação, presentes em 29% das mobilizações do setor. Em terceiro lugar, esteve a defesa do emprego, contra a realização de demissões (12%).

No funcionalismo público, 48% das greves mencionam o reajuste dos salários e pisos, com destaque para o descumprimento das datas-bases e dos pisos legais (especialmente entre os professores). O estabelecimento de condições adequadas de trabalho (fornecimento de ferramentas e insumos) e no local de trabalho (banheiros, refeitórios, áreas de repouso) está presente em 29% das mobilizações.

Negociações difíceis em dezembro

Em dezembro de 2020, só 21,6% das negociações coletivas resultaram em ganhos reais aos salários.

É o segundo pior resultado do ano, melhor apenas que o da data-base novembro, quando apenas 11,3% dos reajustes ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geograϐia e Estatística (INPC-IBGE).

Dezembro registra o maior percentual de reajustes abaixo da inflação, o que acaba por refletir na pior variação real média do ano (-0,54%).

O desempenho ruim das negociações do final de 2020 ocorre em momento de escalada da inflação e de atividade econômica cambaleante. Os números podem ser alterados à medida que novos reajustes forem registrados no Sistema Mediador.

Trabalhadores na construção e mobiliário, na indústria da alimentação, metalúrgicos e empregados em serviços de saúde tiveram aumentos reais em mais de 45% dos casos analisados.

Por outro lado, vigilantes e trabalhadores nas comunicações tiveram as maiores incidências de reajustes abaixo do INPC.

Em relação aos pisos salariais, os valores variaram entre R$ 1.170,25, nas comunicações, e R$ 1.409,64, nos transportes. A análise considerou apenas o menor valor de piso registrado em cada acordo e convenção coletiva. Uma avaliação segundo funções especíϐicas pode apresentar resultado diferente.

Fonte: Dieese

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