Governo assume que vender ações é privatizar, no caso do BB

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Enquanto a Caixa promete abrir o capital e vender ações das áreas de cartões e seguros, negando a privatização do banco, presidente do BB vai na contramão do discurso governo e explica que pulverizar ações é sim privatizar

A cada declaração do ministro Paulo Guedes ou dos presidentes da Caixa e do Banco do Brasil ficam evidentes os planos do governo para enfraquecer os bancos públicos e depois privatizá-los. No início desta semana, durante participação em audiência pública virtual do Senado, Rubens Novaes, presidente do BB, voltou a defender a privatização da instituição.  O executivo explicou que a privatização do banco não deverá ocorrer com a venda da instituição a um grande concorrente, mas sim pela pulverização de seu capital.

A ideia, segundo o presidente do BB, é vender parte das ações que hoje se encontram nas mãos do governo. Diluir o patrimônio público entre diversos investidores é justamente o que o governo começou a fazer com as áreas mais rentáveis da Caixa. Nas últimas semanas, a direção da Caixa vem reafirmando a realização de IPOs (abertura do capital na bolsa) das áreas de Cartões e de Seguridade, mas insiste em negar que esteja privatizando o banco.

Desde o início do ano passado, a Caixa vem sofrendo um processo de privatização disfarçado, com a venda de ativos e a preparação das áreas mais rentáveis para venda na bolsa de valores. O banco, porém, não entrou oficialmente na lista da desestatização. “A Caixa passa por um fatiamento, que tentamos evitar a todo custo. E o fato de o governo negar que esteja privatizando dificulta ainda mais a mobilização contra da venda do banco”, avalia o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.

No caso do BB, atualmente o governo tem 50% do banco, enquanto os outros 50% estão nas mãos do mercado. O governo planeja vender parte das ações que se encontram em seu poder e ficar com menos de 50%. Com isso, o banco deixaria de ser estatal. “As pessoas imaginavam que o Banco do Brasil seria comprado por um grande banco estrangeiro ou pelo Itaú, pelo Bradesco. Não é nada disso que se está imaginando. Hoje o BB já tem 50% de suas ações em mãos privadas, é só vender mais um pouco que vira uma instituição privada. Vamos fazer do Banco do Brasil uma corporation”, disse o presidente do BB.

Desde que assumiu, Novaes tem reiterado o desejo de privatizar o banco e conta com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defendeu que o Banco do Brasil deve ser vendido logo, na polêmica reunião interministerial do dia 22 de abril.

“Esse governo tem se mostrado incompetente para resolver os problemas do país e quer vender o patrimônio público, sem considerar que empresas como a Caixa e o Banco do Brasil tem sido fundamentais para retomada do desenvolvimento econômico e social em outros momentos de crise. Com a privatização desses bancos quem vai assegurar o crédito agrícola ou financiar a casa própria para a população de baixa renda”, questionou Sergio Takemoto.

“Vender ativos nesse momento de flutuações sem precedentes nos mercados financeiros globais, desvalorização cambial, saída massiva de capital estrangeiro fere o interesse público e redundará em grandes prejuízos aos cofres públicos”, completou o presidente da Fenae.

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