Mais de 50% do orçamento é usado para pagar a dívida

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Problema da economia brasileira é a transferência de renda dos trabalhadores para os bancos.

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli, e o professor e jornalista da UFMA, Ed Wilson Araújo, comandaram a palestra sobre conjuntura político-econômica durante o I Encontro Estadual dos Bancários 2022, realizado no sábado (26/03), na Sede Recreativa do SEEB-MA, em São Luís.

Para o presidente do SEEB-MA, Dielson Rodrigues, os dados revelados por Fatorelli e Araújo deixaram evidente que o grande problema da economia brasileira [inflação, preço da carne, dos combustíveis] é a transferência de renda dos trabalhadores para os bancos, em que quase 50% do orçamento anual do governo brasileiro é destinado para pagar os juros da dívida pública aos banqueiros em detrimento da população, fato que não é veiculado pela grande mídia, deixando a população desinformada e a classe trabalhadora sem direitos, sem serviços públicos e desempregada.

Durante a sua palestra, Lúcia Fatorelli afirmou que a política do Governo Bolsonaro está na contramão da política internacional, que apesar da guerra e da pandemia, tem investido em auxílios sociais com valores decentes, juros baixos, injeção de moeda na economia e incentivo às industrias e empresas geradoras de emprego.

Por sua vez, no Brasil, mesmo com uma imensa reserva de petróleo capaz de abastecer todo o país, o combustível está com preço elevado, a fim de atender aos interesses lucrativos dos acionistas estrangeiros da Petrobras. No mesmo sentido, para atender aos anseios do agronegócio, mais da metade da nossa população passa fome, embora o Brasil seja líder mundial na produção de grãos e carnes.

Para se ter ideia, aqui, as indústrias estão fechando e o desemprego explode, mas os bancos continuam a bater recordes sucessivos de lucros, tendo em vista que mais da metade do orçamento federal está comprometido com o pagamento da dívida pública aos banqueiros, o que subtrai recursos do povo e das áreas sociais.

Fatorelli criticou, também, a Emenda Constitucional 95, que impossibilita aumentar os investimentos sociais por 20 anos; o Banco Central “Autônomo”, que tem elevado os juros sob a falsa justificativa de combater a inflação dos alimentos; além dos privilégios tributários dados pelo Governo aos que se beneficiam com a dívida pública, como os bancos, o agronegócio e as grandes empresas internacionais.

“Enquanto os trabalhadores sofreram com a perda de renda na pandemia, os bancos lucraram cerca de R$ 120 bilhões nos 12 meses completados em junho de 2021, devido ao bolsa-banqueiro de Bolsonaro, à “securitização”, ao desvio do dinheiro dos impostos pagos pelo povo, do apoderamento da arrecadação tributária pelos bancos, entre outros privilégios dados pelo Governo ao capital” – afirmou Fatorelli.

Em sua participação, o professor Ed Wilson Araújo ressaltou que esses dados alarmante revelados pela Auditoria Cidadã da Dívida precisam ser levados ao conhecimento da sociedade, para que haja uma mobilização social consciente, além de ações concretas, como a rejeição da Reforma Administrativa (PEC 32), a revogação do “Teto dos Gastos Públicos” (EC 95), a investigação do Banco Central e a Auditoria da Dívida com forte participação social e do movimento sindical.

Porém, segundo o professor, a população não pode contar com o apoio da grande mídia, que possui um problema pessoal com o presidente Bolsonaro, mas silencia e compactua com as medidas econômicas nefastas do Ministro Paulo Guedes, que beneficiam os banqueiros, patrocinadores das grandes redes de TV.

“Por isso, todos nós precisamos lutar pela democratização da comunicação e, sobretudo, saber qual será a posição do novo governo sobre a mídia. É preciso investir em iniciativas alternativas, como as rádios comunitárias, as quais – de fato – informam a população, diferentemente dos meios tradicionais, que omitem, desinformam e são cúmplices dos ataques do atual governo ao povo brasileiro. Pelo fim dos privilégios aos banqueiros, contra os ataques aos direitos e pelo investimento nas áreas sociais em detrimento da dívida pública, vamos à luta!” – finalizou Araújo.

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