Mais ricos dispensam diaristas sem pagar salário

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A pandemia causada pelo coronavírus escancara um problema secular do Brasil: o desprezo das classes mais ricas com a população mais carente. Com a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), de manter o isolamento social para evitar a propagação da Covid-19, milhões de diaristas e trabalhadoras domésticas foram dispensadas pelas “patroas”. Mas, sem direito a salário.

Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva mostra. Entre as famílias das classes A e B – aquelas com renda altíssima – 45% liberaram as trabalhadoras durante a quarentena sem pagar um “tostão sequer”. Quando a análise é feita com as demais classes, o índice tem uma ligeira queda, 39%.

Um outro dado apresentado pelo levantamento não é menos perverso – 23% dos empregadores de diaristas e 39% dos patrões de mensalistas afirmam que as funcionárias continuam trabalhando normalmente, ignorando todas as recomendações sobre o distanciamento social e colocando em risco a vida dos que mais precisam do SUS. Na real, não há preocupação com as trabalhadoras e com o possível colapso do Sistema Único de Saúde.

O trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres em todo o mundo – cerca de 80%, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). No Brasil, a atividade é a principal fonte de emprego e renda entre as mulheres e até 2017, de acordo com o IBGE, empregava cerca de 7 milhões de pessoas. A avassaladora maioria é de origem afrodescendente e de baixa escolaridade.

Essas mulheres representam uma parte significativa da força de trabalho informal e estão entre os grupos de trabalhadoras mais vulneráveis que agora dependem apenas do auxílio emergencial de R$ 600,00 para sobreviver. Isso se conseguirem a aprovação cadastral.

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