O impacto da reforma trabalhista e um modelo de produção criminoso

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A Federação de Trabalhadores, Empregados e Assalariados Rurais de Goiás (FETAER-GO) realizou um encontro, nos dias 15 e 16 de outubro, com dirigentes, trabalhadores e trabalhadoras do setor. Adão Donizete da Cruz, secretário geral da organização, conversou sobre isso com A Rel.

“Reunimos 24 sindicatos e cerca de 100 trabalhadores e trabalhadoras, entre eles, dirigentes sindicais, todos convidados a debater sobre a nossa convenção coletiva e o cumprimento de sua normativa.

Nessa ocasião, reunimos operários do setor sucroalcooleiro do Brasil”, informou Da Cruz.

Felizmente, a convenção coletiva, para os engenhos açucareiros, está sendo cumprida, mas não podemos desconsiderar o impacto gerado com a perda do pagamento das horas in tinere”, lembrou o dirigente.

Com a reforma trabalhista, que entrou em vigor em dezembro de 2017, o pagamento das horas que os trabalhadores e as trabalhadoras gastam se locomovendo até os estabelecimentos deixou de ser obrigatório para os empregadores.

“Ainda que em alguns casos busquemos garantir o pagamento dessas horas por convenção, na maioria das vezes os patrões se limitam a cumprir a legislação, deixando de pagá-las. Esse benefício que nós trabalhadores rurais tínhamos já deixou de existir”, lamentou.

Um estudo recente revelou que os assalariados e as assalariadas rurais perderam em média entre 600 e 700 reais em seus salários, devido ao corte do pagamento das horas de locomoção.

Há empresas onde esse corte representa uma perda salarial de 20 por cento”, explicou Da Cruz.

Segundo expressou, as compensações ocorreram por meio de vales de alimentação ou na participação nos lucros, mas não foram suficientes para cobrir as perdas.

Dar destaque internacional aos nossos problemas

“No próximo congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores, Trabalhadoras, Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR), que acontecerá em Brasília no final de outubro, abordaremos internacionalmente a necessidade de que os consumidores de produtos brasileiros na Europa e nos Estados Unidos saibam como os direitos dos trabalhadores estão sendo desmantelados”, disse.

Estão precarizando ao máximo as condições de trabalho e promovendo o uso indiscriminado de agrotóxicos nas produções agrícolas, afetando não só a saúde e a segurança dos trabalhadores e dos produtores rurais, como também dos consumidores de nossos grãos, mel, carnes e frutas”, alertou.

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