Sem direito a ‘home office’, periferia tem o dobro da contaminação por covid-19 que em bairros ricos

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No entanto, houve aumento maior de casos de covid-19 nos bairros ricos do que na periferia, devido a descuido com distanciamento social e uso de máscaras

Dados do inquérito sorológico da prefeitura de São Paulo mostram claramente a desigualdade da pandemia

São Paulo – A população da periferia de São Paulo tem o dobro de taxa de contaminação pela covid-19 em relação aos bairros mais ricos da cidade. Enquanto as regiões com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto têm prevalência de 9,5% de pessoas contaminadas, as áreas com IDH baixo têm prevalência de 19,1%. Os bairros com IDH médio apresentam índice de 13,2%. Em toda a cidade, a prevalência é de 13,9%. No entanto, houve 53% de aumento de casos de covid-19 nas áreas mais ricas, em 10 dias. Na periferia, o aumento foi 36%. Os dados são da quinta fase do inquérito sorológico realizado pela prefeitura de São Paulo, apresentados hoje (17).

Segundo o secretário Municipal da Saúde, Edson Aparecido, o aumento de casos de covid-19 nas áreas ricas parece estar relacionado com a redução nas medidas de higiene e distanciamento social. A conduta insegura é comprovada por bares lotados e pessoas circulando sem máscara nas últimas semanas. Por outro lado, o maior índice de contaminação por covid-19 na periferia está relacionado com a impossibilidade ou dificuldade das pessoas para trabalharem em home office. E isso, tanto para trabalhadores formais, seja porque são obrigados ao trabalho presencial, seja por ser tecnicamente inviável, quanto para os na informalidade.

Pandemia desigual

Os dados não indiquem diferença significativa na contaminação entre quem utiliza ou não o transporte coletivo para ir ao local de trabalho – 14,1% e 13,5%, respectivamente. Porém, há um claro aumento no risco de ser contaminado pela covid-19 para quem manteve o trabalho fora de casa – majoritariamente quem vive na periferia. A prevalência de contaminação entre quem está em home office é de 7,2%. Já entre quem trabalhou fora o índice de contaminação é mais que o dobro: 18,9%.

A quinta fase do inquérito sorológico confirmou os dados das fases anteriores quanto à prevalência maior da doença entre a população preta e parda e entre as classes D e E, ressaltando as desigualdades na pandemia. No primeiro caso, a população negra apresenta índice de contaminação de 17,4%, enquanto na população branca é de 10,7%. Já entre classes sociais, a prevalência na classe A/B é de apenas 3,1%, enquanto na classe D/E é de 18,7%. Os índices também são maiores em pessoas com idade entre 18 e 34 anos (15,4%) e em pessoas de 35 a 49 anos (14,6%).

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