Sindicato denuncia desmonte dos públicos

300


O desmonte dos bancos públicos, promovido pelo governo de Michel Temer,  é denunciado pelo Sindicato dos Bancários da Bahia à grande mídia.


A intenção é alertar a sociedade, para que a luta em defesa das estatais, fundamentais para o crescimento do país, ganhe mais força.


O presidente do SBBA, Augusto Vasconcelos, falou sobre o assunto com o Varela Notícias. A nova sede da entidade, mais moderna e confortável, também teve destaque. Confira a íntegra abaixo.


Sindicato dos Bancários inaugura nova sede e presidente defende bancos públicos


O Sindicato dos Bancários da Bahia inaugura nesta quarta-feira (2), às 19h, sua nova sede. Após passar por reformas e ser anexada a outro pavimento, a unidade, que fica nas Mercês, na Avenida Sete de Setembro, em Salvador, reabre mais funcional e se aproximando da população.


Em entrevista ao Varela Notícias, o presidente do sindicato, Augusto Vasconcelos, falou sobre as reformas feitas no prédio. Segundo ele, além do Café dos Bancários, que será aberto ao público, também vai funcionar na sede do sindicato o Teatro Raul Seixas, que será reaberto para espetáculos e produções.


Vasconcelos, que também é professor de direito constitucional e previdenciário, ainda falou sobre as ações do sindicato, o conjunto de reformas propostas pelo governo Temer e ainda sobre os bancos públicos. Para ele, estas últimas são “instituições ameaçadas” e sofrem “ataques” do governo, uma vez que este as considera “empresas supérfluas”.


Entrevista na íntegra:


Varela Notícias: Vocês estão inaugurando novas instalações e para um Sindicato é sempre difícil financeiramente falando. Como está sendo isso? Uma vitória?


Augusto Vasconcelos: Uma grande vitória a inauguração da nova sede. Nós empregamos muito bem os recursos da categoria. E a gente tem muito orgulho de fazer uma gestão muito transparente. Uma gestão muito comprometida com o coletivo. Então eu acho que foi isso o que possibilitou fazer uma reforma deste porte, porque é uma grande reforma. O nosso prédio sofria inúmeros problemas elétricos, hidráulicos, de estrutura e até de segurança e nós fizemos uma série de adaptações. É uma reforma que tem características funcionais, para que o sindicato tenha mais eficiência, maior capacidade de organização e também uma reforma que abre o sindicato para a sociedade. Vai ser inaugurado um Café dos Bancários aberto ao público, também iremos reabrir o Teatro Raul Seixas, com espetáculos e produções funcionando dentro do sindicato. Ao mesmo tempo em que é uma obra que unifica dois pavimentos que estavam separados. A gente regularizou isso tudo no âmbito da Prefeitura Municipal, conseguimos fazer a unificação dos imóveis e apresentamos uma nova roupagem do sindicato. Uma faixada moderna que demonstra um novo momento do sindicato, mais moderno, dinâmico e interativo, ao mesmo tempo um sindicato que demonstra força. Está impressionante, talvez ali seja um dos imóveis mais bonitos da Avenida 7, sem nenhuma falsa modéstia. Porque realmente a gente preparou isso com muita dedicação e muito emprenho.


VN: Como andam as ações do Sindicato atualmente?


AV: O sindicato está vivendo um momento intenso. Estamos trabalhando de domingo a domingo, quase dez horas por dia, todos os dias, porque com os ataques que estamos sofrendo as demandas vem sendo criadas. Estamos fazendo esse processo de visita às agências, porque somos um sindicato muito presente no dia-a-dia do trabalhador. Somos o único sindicato da América que possui um jornal diário que circula nas agências de todo o Estado. É evidente que isso dá uma responsabilidade maior, porque a gente disputa a opinião contra o setor mais poderoso da economia e enfrentar o sistema financeiro não é fácil, nós enfrentamos marcas muito poderosas e o maior patrimônio de um banco é a sua imagem. Então o nosso objetivo quando visitamos as agências e os trabalhadores é mostrar o outro lado, que não passa na grande mídia, que não passa nos meios de comunicação, que é o lado perverso desses bancos contra os trabalhadores e a população. Além disso estamos enfrentando um congresso extremamente conservador, que aprovou um pacote de reformas que prejudica e muito à população.


VN: Como o sindicato enxerga essas reformas aprovadas?


AV: A gente enxerga da pior forma possível. Porque, na verdade, são ataques a direitos que foram conquistados fruto de muito esforço, e agora, em uma simples movimentação de bastidores, eles conseguem trazer uma maioria para emplacar reformas que atacam o direito da maioria da população. A CLT está sofrendo uma reforma de 117 artigos, que detonam, em nossa opinião, o mercado de trabalho e cria a figura do trabalho intermitente, que permite que o trabalhador seja contratado por hora, estabelece mecanismos flexíveis de contratação, possibilita a terceirização de todas as atividades da empresa. Ao nosso ver, essas reformas irão impactar diretamente na economia, porque vão promover rebaixamento de salários, uma desestruturação do mercado de trabalho, porque a insegurança vai predominar. O trabalhador não saberá de antemão quanto vai ganhar no mês, porque ele vai ficar nessa lógica do trabalho intermitente, ao mesmo tempo em que vai enfraquecer as entidades dos trabalhadores e fortalecer as entidades patronais. Tudo isso é muito preocupante porque estabelece o negociado sobre o legislado e a gente sabe que não existe igualdade de condições nessa negociação entre empregado e empregador.


VN: E a falta da contribuição sindical? Vocês vão sentir o impacto?


AV: O nosso sindicato tem muito prestígio na sociedade e por isso tem um número alto de sindicalização, mas nós vamos sofrer, sim, porque o impacto da perda da contribuição sindical é muito alta. E é bom ressaltar que a contribuição sindical, o valor pago a ela é o valor de um dia de trabalho por ano. É o menor tributo existente. É evidente que o que o governo quer não tem nada a ver com questão tributária, o governo quer atacar as entidades. Em muitas empresas, até a sindicalização é ameaçada, o trabalhador sofre com isso e o sindicato também, porque muitos não querem se sindicalizar para não sofrer retaliação, então o imposto sindical ele tira essa natureza, de você assegurar a existência do sindicato e o funcionamento dele. Do imposto sindical 60% fica com o sindicato, os outros 40% são distribuídos entre Federações, Confederações, Centrais Sindicais e o próprio governo. 10% da contribuição sindical vai para o fundo de amparo ao trabalhador, para financiar o seguro desemprego e programas de qualificação. É um equívoco a retirada dessa contribuição.


VN: E a categoria como está, com toda essa crise política e financeira no Brasil?


AV: Os bancos não sofrem com a crise, o fato é que o sistema financeiro continua lucrando muito. Foram R$ 60 bilhões obtidos no ano passado.


VN: Então não estão havendo demissões?


AV: Não, ao contrário, os bancos, apesar de estarem lucrando muito, estão demitindo também muito. A gente perdeu em dois anos, só nos bancos públicos, 24 mil postos de trabalho, e nos postos privados a perda também foi brutal. Estamos vivendo uma redução no tamanho da categoria, exatamente porque os bancos estão apostando em formas mais precárias de trabalho, como correspondente bancário, empurrando clientes para lotéricas… Esses trabalhadores não são protegidos pela convenção coletiva de trabalho e ao mesmo tempo com o aumento da sobrecarga de trabalho, com fechamento de agências.


VN: E sobre o desmonte do Banco do Brasil? No site do sindicato, vocês atribuem isso à privatização, como vocês enxergam essa situação?


AV: O Banco do Brasil, somente neste ano, passou por um processo de fechamento de mais de 400 agências no Brasil, uma perda de 14 mil empregos através dos planos de demissão voluntária em dois anos. Existe uma tentativa de desmonte, não só do Banco do Brasil, mas também da Caixa e do Banco do Nordeste, essas instituições estão ameaçadas. O governo Temer as considera empresas supérfluas, que poderiam ser substituídas por bancos privados, nós discordamos dessa posição do governo. Que banco privado vai querer financiar o “Minha casa, minha vida”, cujo lucro para o banco é bem pequeno em relação ao risco do negócio? O BNDES também está sendo ameaçado. Consideramos que o ataque aos bancos públicos é um ataque ao Brasil.


VN: E as Centrais Sindicais estão planejando uma greve geral por agora? Como andam as reuniões?


AV: Não é simples fazer uma greve como essa, em que você organiza várias categorias ao mesmo tempo, só que nós consideramos que não há alternativa para a classe trabalhadora se não for resistir com enfrentamento, com luta. Estamos conversando com todas as centrais, organizamos um manifesto e já estamos elaborando uma jornada de lutas no mês de agosto para resistir contra a reforma da previdência e para exigir também que os efeitos da reforma trabalhista não impactem da forma tão drástica quanto eles querem na vida do trabalhador.


 


Fonte: Varela Notícias


 


Source: SAIU NA IMPRENSA – 300

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comentário
Seu nome