Sobre perdas, empatia e organização dos trabalhadores

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No último fim de semana o Banco do Nordeste teve mais uma perda em seus quadros: o colega Ádamo Zerilio Alves encerrou o seu ciclo neste plano. Tristeza para a família, amigos e também para o Banco, instituição de desenvolvimento da qual se espera uma política de pessoal diferenciada, empática e solidária com o trabalhador.

A partida precoce do colega Ádamo acende o alerta para a temática da saúde mental em geral, mas sobretudo no ambiente de trabalho. Segundo dados apresentados na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal por ocasião de debate sobre o assunto, em outubro do ano passado, os bancários representam 1% dos empregos formais no Brasil, mas são 24% dos afastados por doenças mentais e comportamentais no país.

No caso do BNB, pelos relatos que chegam à Associação, isso se dá por diferentes motivos: pressão por metas cada vez mais inatingíveis; condições inadequadas de trabalho; sobrecarga, inclusive fora do horário de expediente; esgarçamento das relações interpessoais devido às disputas internas, sobretudo por funções; assédios moral e sexual; insegurança resultante da falta de transparência nos processos, dentre outros.

Tais aspectos tornam o ambiente de trabalho tóxico, com trabalhadores vivendo um estresse permanente – e não o estresse necessário à vida, no sentido da defesa contra algo concreto, real e pontual! Não custa lembrar que as pessoas passam cerca de 1/3 do dia no trabalho.

Não existe solução mágica para o problema do adoecimento mental no ambiente de trabalho mas, seja qual for a saída para enfrentá-lo, ela requer a organização e a solidariedade dos trabalhadores.

Organizar para exigir melhores condições de trabalho; para não se submeter aos desmandos de A ou B; para ampliar direitos; para denunciar nas instâncias devidas os excessos por parte dos patrões; para exigir valorização do trabalho. Solidariedade para ter empatia com os que estão sofrendo, para compreender que estamos todos suscetíveis a passar pelas mesmas dificuldades; para acolher a dor do outro e tornar o ambiente menos hostil, sem julgamentos, sem preconceitos, sem soberba.

Assim como nenhum direito foi dado generosamente pela classe patronal aos trabalhadores mas sim conquistado por estes com muita luta, persistência, greve, organização e coragem, o mesmo vale para todos os desafios do mundo do trabalho e agora, no momento histórico em que vivemos, mais do que nunca!

Buscar entender as mudanças no mundo com as novas tecnologias e sua dinâmica excludente de extinção de postos de trabalho e se reconhecer enquanto classe trabalhadora, unindo-se às demais categoriais, é condição fundamental para mantermos nossa integridade física e mental.

Só a luta muda a vida!

 

 

 

 

 

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