Sociólogo destaca atuação da Caixa e do Estado na retomada da atividade produtiva

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Clemente Ganz Lúcio analisa a situação do país e dos trabalhadores na mais complexa crise para a economia do país

“Recolocar a Caixa Econômica Federal e os bancos públicos na criação de condições para o controle geral da pandemia, mostrando mais uma vez que cabe ao Estado oferecer à população um serviço de qualidade. Essa é uma solução que mudará, progressivamente, o imaginário das pessoas”. A declaração é do sociólogo e professor Clemente Ganz Lúcio, ex-diretor técnico do Dieese e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ao analisar o papel dos bancos públicos na pandemia do coronavírus.

Convidado pelo vice-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e diretor Financeiro da Contraf/CUT, Sérgio Takemoto, o sociólogo participou de videoconferência com a Diretoria da Fenae e debateu a atual conjuntura e perspectivas econômicas, políticas, sociais e sanitárias para o Brasil.  Na sua exposição, Ganz Lúcio defendeu que entidades como a Fenae, as Apcefs e os sindicatos disponibilizem tempo e inteligência a serviço de uma rede de solidariedade e cooperação em favor da população.

O sociólogo destacou o papel da Federação Nacional do Pessoal da Caixa como entidade representativa dos trabalhadores do principal agente das políticas públicas nacionais. Para ele, um dos principais desafios da atual conjuntura é participar do debate público para proteger o Brasil, a sociedade e os trabalhadores, abrindo uma agenda para operar uma reconexão com a economia nacional. “Com base no compromisso para preservar vidas, é preciso fazer a saída da crise pela utopia e pela mobilização por uma sociedade com valores solidários e de cooperação”, completou.

O sociólogo também abordou a necessidade de fortalecer ainda mais a interlocução ampla com governos, Congresso Nacional, órgãos do Estado, empresários e organizações da sociedade civil, priorizando ações cotidianas e coletivas no enfrentamento dessa crise, definida por ele como “a mais complexa para a economia do país”.

“Nossa tarefa é a de organizar a resistência articulada e coordenada dos trabalhadores, mostrando à sociedade que podemos colaborar com a construção de um outro patamar civilizatório”, alertou. Com isso, segundo ele, o país poderá contar, em futuro próximo, com um mundo do trabalho mais inclusivo e solidário. Como agenda propositiva de curto prazo, o ex-diretor técnico do Dieese pontuou as seguintes prioridades: Renda Básica de Emergência, crédito para a folha salarial, garantia no emprego e suspensão do pagamento de tarifas básicas (água, luz e gás) e de impostos. “Os sindicatos, também, são parte da solução”, disse.

No debate online com Clemente Ganz, o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, foi direto ao ponto: “O país vive uma situação de desemprego alto. O momento é oportuno para reafirmar a defesa da importância do Estado e dos bancos públicos, com protagonismo para inovar”, declarou. Segundo ele, a atuação da Caixa na crise mostra a necessidade de que o banco 100% público seja mantido.

“A crise mostra que o Estado é fundamental”, lembrou Sérgio Takemoto. Ele disse ainda que os sindicatos são ferramentas importantes na construção de saídas para o país.  E acrescentou: “Os bancos públicos são protagonistas na articulação de estratégias de desenvolvimento, devendo ter sua participação fortalecida neste momento de pandemia”.

 

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