COVID-19: AFBNB encaminha ofício ao Banco e cobra reversão do retorno ao trabalho presencial

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A AFBNB encaminhou na tarde desta quinta-feira (2) ofício ao Banco em que fundamenta as diversas razões pelas quais se posiciona contrária ao anúncio feito pela Instituição sobre o cronograma de retorno das atividades presenciais de seus trabalhadores. No documento ainda solicita a imediata sustação da medida e o estabelecimento de um processo de discussão com as entidades de representação dos funcionários no sentido de construir, à luz da realidade da pandemia e dos embasamento apontados pelas autoridades da área da saúde, com vistas à construção de uma política adequada para a questão.

Dentre os pontos elencados pelo documento estão as orientações dos órgãos de saúde com vistas à prevenção da doença e as adotadas pelo próprio Banco; também o ainda crescente aumento da curva do número de casos no país, além da significativa incidência de casos no âmbito do próprio BNB.

AFBNB ao lado dos trabalhadores

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Veja na íntegra

Fortaleza, 02 de julho de 2020

Ao Senhor
Romildo Carneiro Rolim
Presidente
Banco do Nordeste do Brasil S.A.

Nesta

Assunto: COVID-19 – Preservação da vida dos funcionários

Senhor Presidente,
Sobre o cronograma de retorno às atividades presenciais apresentado pelo Banco, o qual estabelece quatro etapas para implementação, tendo o próximo dia 06 de julho como marco inicial, a AFBNB vem por meio deste manifestar preocupação diante do cenário atual e desde já apresenta aspectos que julga relevantes para a reversão da medida e o estabelecimento de um processo de discussão no sentido de que a política em questão seja pensada à luz da realidade, de forma mais adequada aos funcionários e trabalhadores do BNB, de modo a manter a coerência com os procedimentos.

Assim expõe:

1) Considerando que as medidas adotadas desde o início da situação de pandemia decorrente do novo coronavírus – Covid-19, nos termos preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), autoridades locais do segmento e pelo próprio Banco no que lhe é de incumbência no caso, foram acertadas e necessárias para possibilitar o isolamento necessário e preservar a vida dos trabalhadores e dos clientes;

2) Considerando que as medidas redundaram na redução de aglomerações nas diversas unidades do Banco, sobretudo direcionadas aos funcionários que têm alguma doença
pré-existente, comorbidade, tanto por diagnósticos e laudos médicos, quanto por autodeclaração, e a pessoas que se encontram em faixa etária superior a 60 anos, nos
classificados como integrantes do grupo de maior risco;

3) Considerando que as referidas medidas foram adotadas no início da situação, quando ainda não havia um quadro alarmante da Covid-19 no país, o qual ainda não era nem
classificado como “contaminação comunitária”, o que expressa a assertividade e prudência no contexto da prevenção;

4) Considerando que a realidade mostra um quadro ainda crescente dos casos, sem manifestação por parte das autoridades e especialistas da Área, que apontem para o
achatamento da curva, e que os mesmos preconizam uma possível estabilização somente para os próximos meses – agosto a outubro, segundo informações veiculadas por órgãos da imprensa;

5) Considerando que em várias Unidades da Federação, cujas gestões estaduais e municipais haviam flexibilizado as medidas restritivas e de isolamento social, estão se vendo obrigadas a declinar e retomar as ações, diante da realidade crescente do quadro de Covid-19;

6) Considerando que o ainda presente quadro de crescimento de casos expõe o alastramento da incidência para os municípios além dos grandes centros e até mesmo para
áreas rurais, nas áreas de atuação do BNB, o que desperta preocupação e urgência de mais e maiores cuidados; e

7) Considerando que em termos internos ao BNB consta uma realidade de incidência significante de casos, com o acometimento de vários trabalhadores de todos os
segmentos, bem como de seus familiares, em que pese o quadro de redução de pessoal proporcionado pelas medidas adotas para reduzir a aglomeração.

Por todo o exposto, a AFBNB reafirma o entendimento quanto à importância da manutenção das medidas adotadas até o momento, no sentido de preservar a vida dos
trabalhadores, sem prejuízo dos negócios e missão do Banco, conforme manifestou desde o início da situação de pandemia, tanto em “in loco”, quanto por documentos.

Por oportuno enfatiza a necessidade do recrudescimento das ações pertinentes, sobretudo no tocante aos protocolos constituídos para fazer frente aos casos: fechamento das unidades quando houver ocorrências e a imediata sanitização; afastamento das pessoas envolvidas, testagem do efetivo de trabalhadores, haja vista impossibilidade de mensurar com precisão quanto ao relacionamento direto entre as pessoas diante da dinâmica de mobilidade.

Nestes termos, com base nas diversas manifestações demandas à AFBNB, por razões óbvias, e, muito mais e, sobretudo, pela responsabilidade e o dever da representação que lhe compete também nesta matéria, vimos solicitar ao BNB a declinação sobre a decisão nos termos do cronograma divulgado, até que haja melhores condições sanitárias e pelo menos um quadro de estabilização da curva de incidência da Covid-19.

No mesmo sentido, com vistas ao adequado procedimento em lide, manifestamos a necessidade do estabelecimento de um processo de discussão com as representações dos
funcionários, no sentido de se construir uma política à luz da realidade e do embasamento científico que deve ser considerado diante da complexidade da questão.

Sem mais para o momento, ratificamos disposição para o diálogo.

Cordialmente,
Rita Josina Feitosa da Silva
Diretora-presidente
Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB)

1 COMENTÁRIO

  1. É complicado… quem tá em casa tá protegido. A gente q tá na agência tá trabalhando por 3 e correndo o risco… tem jovem morrendo, gente sem comorbidade morrendo…

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