O BNB É UM BANCO DE DESENVOLVIMENTO!

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Não é de hoje a percepção de que o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) passa por momento singular em que urge a necessidade de seu fortalecimento, em todos os níveis, bem como da sua reafirmação como uma instituição vital para o Desenvolvimento. Para a Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB), essa premência exige atitudes firmes e objetivas, especialmente, quanto ao que a sociedade precisa e demanda.

Na esfera conceitual parece não ser difícil identificar que o Banco é uma instituição pública, uma sociedade de economia mista com mais de 98% do capital social pertencente ao Governo Federal, que tem por missão fomentar o desenvolvimento (econômico + social) da Região Nordeste (área de atuação do FNE e da Sudene), por meio de crédito especializado de longo prazo, daí a necessidade de fontes de recursos  adequados e estáveis, a exemplo dos fundos, seguindo prerrogativas constitucionais e diretrizes de políticas públicas (áreas prioritárias da Política Nacional de Desenvolvimento Regional – PNDR,  etc.).

Também é evidente, em todas as áreas do Banco – Direção Geral, Superintendências e agências – certo clima no ar, talvez em função da eleição presidencial que se aproxima, quanto a um período de transição e possíveis mudanças na gestão,  especialmente considerando o contexto atual no BNB: direcionamentos e ações específicas de curto prazo, mudanças na estrutura e medidas para setembro/2014, anunciadas com força nas palavras e no posicionamento de gestão. E no discurso, a indicação de que a área de desenvolvimento do BNB também será fortalecida.

E deve ser mesmo. Mas a julgar pelo tratamento que vem sendo dado à estratégia de desenvolvimento do Banco e um dos seus componentes, a definição da contribuição dos agentes de desenvolvimento para a consecução de objetivos no contexto de uma política de desenvolvimento territorial, que não tem solução há anos, pode-se inferir que o discurso não combina com a prática. O interessante: essa definição está posta nos direcionamentos e ações de curto prazo estabelecidos pela gestão do Banco. O pior: os ventos continuam trazendo nuvens com relação a essa tomada de decisão.

Na realidade, não há como tergiversar quanto ao fato de que é a atuação diferenciada do BNB enquanto operador de recursos públicos de longo prazo, em especial o FNE (de quem é administrador), que lhe garante a essência de banco de desenvolvimento.  E é em função desse posicionamento que são possíveis receitas relevantes de taxa de administração e de del credere para a Instituição, ou seja  a sustentabilidade.

Porém, sabe-se que não é só aplicando os recursos do FNE, ou pela ação creditícia per si,  que o BNB se certifica enquanto banco de desenvolvimento. Há a necessidade de outras posições de gestão/organizacionais que façam prevalecer esse viés, um banco que ao promover o crédito de longo prazo o faz enquanto política pública, que fomenta ações complementares ao crédito, antecedentes e subsequentes, fundamentais para o planejamento e a consolidação de um eixo desenvolvimentista quando da execução dos recursos públicos disponíveis.

A questão parece ser simples. Em princípio, não se é contra o crédito para capital de giro/crédito comercial (as empresas nordestinas apoiadas pelo Banco precisam) e a abertura de novas agências (a Afbnb em 2010 já colocava a importância de dobrar o número, pelo menos), e outras medidas que visam a apoiar o BNB na perspectiva do varejo, do dia a dia de uma instituição bancária, mas a compreensão é de que elas só são fortalecedoras se estruturadas a partir da competência essencial da instituição, ser um banco de desenvolvimento.

Não é isso que parece estar acontecendo, especialmente, se se notar que não há preponderância da visão desenvolvimentista (ex.: agentes de desenvolvimento atuando em diversas ações relacionadas à execução aderente do FNE à PNDR, e à desconcentração do crédito versus insegurança quanto à manutenção desse segmento conforme a filosofia originalmente concebida).

É certo, aí, um grande risco da perda de identidade, e até mesmo da sustentabilidade do Banco. A AFBNB vem alertando quanto a essa possibilidade há muito tempo. A alta administração, assim como o conjunto dos trabalhadores do banco sabe disso. O que se preconiza é o compromisso e a prática de que os trilhos sejam ajustados, sem qualquer possibilidade de sequência  do desvirtuamento de rumos. É o que a sociedade precisa e espera do Banco do Nordeste do Brasil na perspectiva do cumprimento da sua missão institucional.

A AFBNB ao lado dos trabalhadores

Gestão Autonomia e Luta.

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