Audiência evidencia que privatização gera apenas prejuízo para o país

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“Eu sou uma apaixonada pelos Correios sempre. Muito embora desde a minha adolescência, no interior, quando ia aos correios postar cartas, quando recebia cartas quase todos os dias, do querido carteiro Roberto, a instituição tenha mudado muito uns aspectos pra melhor, outros pra pior, tenho com os Correios um vínculo de memória afetiva forte. É uma instituição importante para o povo e para o país”.

O depoimento da professora Sandra Beiju, presente à Audiência Pública promovida pela vereadora Professora Ângela Melo (PT) na sexta-feira (14/5), é um dentre tantos exemplos da importância da Empresa de Correios e Telégrafos para o Brasil.

Para além do aspecto afetivo, citado por Sandra, os Correios cumprem uma função essencial no desenvolvimento do país. “É uma empresa que desempenha um papel social há mais de 350 anos, é fundamental para a integração do país e garante cidadania à população”, destacou Jean Marcel Reimon, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Sergipe.

O dirigente sindical ressaltou também que, caso os Correios sejam privatizados, “muitas cidades, distritos e povoados deixarão de ser atendidos pelos serviços postais”. Marcel mencionou uma série de serviços realizados pelos Correios, para além da destinação de cartas, a exemplo da entrega de provas do Enem, da distribuição de medicamentos e do transporte de urnas eletrônicas em períodos eleitorais.

Durante a Audiência, a Professora Ângela Melo enfatizou que, diferente do que afirma o Governo Federal, os Correios não dão prejuízos. Ao contrário, segundo o DIEESE, os dados do relatório administrativo da Empresa de Correios e Telégrafos demonstram que apenas em 2019 a empresa registrou um lucro líquido de R$ 102 milhões e, nos últimos dois anos, houve um aumento de R$ 200 bilhões no lucro bruto.

Ivânia Pereira

“A privatização nada mais é que retirar o que dá lucro ao país, entregar para os amigos do governo genocida, enriquecer os mais ricos e empobrecer os já pobres”, denunciou Ivânia Pereira, que preside o Sindicato dos Bancários de Sergipe.

Em sua exposição, Ivânia salientou a centralidade dos bancos públicos, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste do Brasil, para a garantia de direitos e acesso dos segmentos mais vulnerabilizados da sociedade a um conjunto de políticas sociais.

“O Banco do Brasil é grande financiador da agricultura familiar, através do PRONAF. Quem vai sentir com uma possível privatização do Banco do Brasil é a agricultura que coloca alimentos na mesa do pobre. A Caixa Econômica é a empresa pública que mesmo a cidadã e o cidadão que não têm sequer um endereço fixo, que não têm condição formal de economia, têm direito a ter o cartão da Caixa e acessar políticas públicas”, exemplificou Ivânia.

Funcionária do Banese, banco público estadual, Ivânia lembrou ainda que “o Banco do Brasil e a Caixa estão entre os cinco maiores bancos do sistema financeiro nacional. São instituições extremamente rentáveis e que investem no que chamamos de lucro social”.

Defesa das empresas estatais

A Audiência reuniu dezenas de representantes de movimentos sociais, organizações populares e sindicatos, além de parlamentares de âmbito municipal, estadual e federal, comprometidos com a defesa das empresas estatais. O presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, foi uma das lideranças que levaram sua contribuição ao debate.

O senador Rogério Carvalho (PT) disse que “empresas como Correios e Eletrobrás estão na mira do Governo Federal para a privatização porque possuem caráter estratégico para o país”.

Também presente à Audiência, o deputado federal João Daniel (PT) afirmou que “um grupo de deputados está fazendo um esforço para retirar da pauta do Congresso o projeto de privatização dos Correios”.

Ao frisar que “privatizar significa abrir mão da nossa soberania”, o deputado estadual Iran Barbosa (PT) apresentou dados que desmentem a ideia de que o Estado brasileiro é oneroso e inchado. “Há um discurso dentre os defensores da privatização que não encontra materialização na realidade. De acordo com levantamentos da OCDE, o Brasil presta pouco serviço público frente à necessidade da população”.

Fonte: Sindicato dos Bancários de Sergipe.

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