Caatinga: ONG semeia convivência harmoniosa com o bioma exclusivamente brasileiro

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A organização Caatinga tem 32 anos de atuação em defesa do bioma predominante no clima semiárido

Em outro bioma dificilmente será possível encontrar plantas com a diversidade que existe aqui

A nomenclatura “caatinga” pode ser utilizada tanto para o bioma exclusivamente brasileiro quanto para uma organização que atua há 32 anos no semiárido brasileiro.

Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-governamentais Alternativas (Caatinga) nasceu em pleno sertão do Araripe pernambucano ecoando o lema de “semear vida”.

“Nós sempre trabalhamos na perspectiva de preservar, de aliar as práticas de  produção de alimentos e geração de renda das famílias sem destruir, sem desmatar a caatinga, porque existe um processo muito forte de pressão sobre a caatinga, que é exatamente a pecuária, que é muito forte no desmatamento para substituição da mata, da vegetação por pastagens”, afirma o agrônomo Pedro Paulo de Carvalho, presidente do Caatinga.

O agricultor Adão de Jesus Oliveira relata que a parceria com a organização Caatinga mudou a forma dele se relacionar com o bioma, na área rural da cidade de Ouricuri (PE).

“O Caatinga tem tido um trabalho muito importante na questão da conscientização, na preservação do solo, na conservação do meio ambiente, todo um trabalho voltado para a questão da agroecologia, onde a gente vem discutindo a melhor forma de fazer agricultura sem agredir o meio ambiente. Então, a gente juntamente com o Caatinga tem visto que a melhor forma de trabalhar vem sendo essa forma de trabalhar em consórcio com as plantas da caatinga, fazendo a questão da adubação, a questão da conservação do solo e tenha mais cobertura morta no solo para proteger o solo”, relata Adão.
O bioma caatinga abrange 10% do território nacional, ocupando uma área de 850.000 km² e presente em todos os estados nordestinos, além do norte de Minas Gerais. Além da fauna, a vegetação caatingueira é exclusivamente brasileira.

“Em outro bioma dificilmente será possível encontrar plantas com a diversidade que existe aqui. Na medida que não se preservar ou fizer o mal uso dessa vegetação, se não souber manejar, algumas delas podem desaparecer do nosso bioma”, alerta Adão.

A ONG Caatinga observa que com o reflorestamento e a conscientização social existem resultados concretos desse trabalho, como alega Paulo Pedro de Carvalho.

“Então, os resultados estão principalmente nessa diminuição das áreas desmatadas e na recuperação tem muita coisa também. E o que é que melhora? Melhora o solo, melhora a fertilidade do solo, consequentemente mais produtividade”, explica.

Por outro lado, o desflorestamento da caatinga é uma ameaça que pode gerar processos de desertificação, sendo irreversíveis nos patrimônios genéticos presentes na biodiversidade.

Atualmente, cerca de 13% do território do semiárido brasileiro sofre com processos de desertificação.

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