Deputados e sindicalistas defendem manutenção das políticas do Banco do Nordeste

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Representante do Ministério do Desenvolvimento Regional adiantou que deve ser encaminhado em breve para o Congresso Nacional o plano de desenvolvimento do Nordeste

18/09/2019 – 14:55

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Sindicalistas e representantes do governo debateram o desenvolvimento regional 

Sindicalistas e parlamentares defenderam, nesta terça-feira (17), o papel central que o Banco do Nordeste (BNB) deve continuar exercendo em políticas de desenvolvimento para a região. Os debatedores participaram de audiência pública sobre “Uma Nova Política Nacional de Desenvolvimento Regional”, realizada pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, por sugestão da associação dos funcionários do banco.

Segundo o coordenador da bancada do Nordeste na Câmara, deputado Júlio César (PSD-PI), uma nova política nacional de desenvolvimento para a região deve contemplar as especificidades locais e a manutenção de programas sociais, como os de transferência de renda. E deve também, segundo ele, manter a capacidade de investimento do Banco do Nordeste.

“O que nós queremos é uma política de desenvolvimento com investimento, investimento que é muito importante e pela manutenção do maior patrimônio do Nordeste, que é o Banco do Nordeste”, disse.

Fundo Constitucional
O Banco do Nordeste é responsável pela administração do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Segundo a diretora-presidente da associação de funcionários do banco, Rita Josina, o governo federal tem ameaçado retirar da instituição a gerência do fundo. Para ela, se isso ocorrer, a mudança trará prejuízos para a região.

“Toda a parte produtiva, principalmente a agricultura, onde nós temos a maioria da nossa população que precisa conviver com o semiárido, que precisa produzir nessa região, precisa de ter políticas complementares de crédito para que se possa visibilizar, porque tudo o que se produz se perde por conta do clima. Então é preciso que se reveja isso. É preciso que se contemple uma política para essas dificuldades”, afirmou Rita Josina.

Já o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Sérgio Vasconcelos de Oliveira, destacou a necessidade de o BNB não ser incluído na lista de privatizações pretendidas pelo governo federal.

“Fazer desenvolvimento significa ter o Estado como indutor que possibilite o Estado brasileiro apostar recursos onde mais precisa, e coordene a política econômica voltada sobretudo para os mais pobres”, observou.

Plano regional
Segundo a Secretária Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional, Adriana Melo Alves, deve ser encaminhado em breve para o Congresso Nacional o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, elaborado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com ações previstas para políticas públicas nos próximos quatro anos.

Segundo ela, o  plano trabalha com seis programas que abrangem a educação, o desenvolvimento produtivo, a infraestrutura, o fortalecimento dos municípios e a inovação. “Esses programas compõem uma carteira de projetos prioritários para a região e o plano vai ser uma referência para o governo federal e para os governos estaduais conseguirem implementar investimentos que atingem uma estratégia maior, que é desenvolver o Nordeste”, afirmou Adriana melo Alves.

O Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste foi aprovado em maio pelo Conselho Deliberativo da Sudene e agora está na Presidência da República, de onde seguirá para o Congresso Nacional para avaliação final.

Trabalhadores
O deputado Zé Carlos (PT-MA), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos, enfatizou a conscientização sobre políticas para o fortalecimento do BNB e a valorização dos trabalhadores:

“Essa conscientização é a que vai nos dar a capacidade de nós nos organizarmos para as estratégias para poder defender as nossas instituições públicas, o nosso Banco do Nordeste e defender os interesses maiores do povo brasileiro, principalmente daqueles que mais precisam”, disse.

Representante do Banco do Nordeste, Luiz Alberto Esteves defendeu o papel socioeconômico do banco, especialmente na aplicação de uma política de crédito de longo prazo para investimentos privados na região.

“Ele é o agente da política pública regional, é o aplicador constitucional e não qualquer tipo de crédito, é um crédito de longo prazo, é um crédito que basicamente ele financia o investimento privado da maioria dos projetos de investimentos da região. Então o Brasil e a região Nordeste têm o desafio de crescer nos próximos anos, crescer muito rápido e isso demanda investimentos privados de grande porte e grande montante e basicamente esse é o papel do banco, de fazer esse tipo de financiamento”, disse.

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