Dieese: salário mínimo de R$ 1.067 é menos de 25% do necessário para uma família

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Pelo segundo ano consecutivo, valor do piso é ajustado apenas pela inflação, sem ganho real. Proposta ainda precisa passar pelo Congresso Nacional

Pelo segundo ano consecutivo, valor do piso é ajustado apenas pela inflação, sem ganho real. Proposta ainda precisa passar pelo Congresso Nacional

São Paulo – Sem aumento real pelo segundo ano consecutivo, o salário mínimo de R$ 1.067 para 2021, proposto pelo governo Bolsonaro representa menos de um quarto (24,1%) do valor necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas. Segundo cálculo do Dieese, em julho, o salário mínimo necessário para cobrir os gastos essenciais de dois adultos e duas crianças ficou em R$ 4.420,11.

Reajustado apenas pela inflação, o valor do mínimo caiu 12 reais em relação à previsão inicial, que era de 1.079, indo para 1.067. A mudança se deu por conta da previsão orçamentária de 2020, segundo o governo.

“Houve uma queda brutal na economia (por conta da pandemia). Consequentemente, com menos consumo, a taxa de inflação tende ao decréscimo”, explicou a diretora técnica adjunta do Dieese, Patrícia Pelatieri, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual desta terça-feira (1º) .

Apesar da queda da inflação, esta tem efeitos negativos maiores para as famílias mais pobres. Pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, no acumulado até julho, a inflação dos mais pobres chegava a 1,15%, contra 0,03% dos mais ricos. Um dos fatores que explica a variação é a subida no preço dos alimentos, que tem maior impacto para as famílias que ganham menos.

Patrícia contesta o argumento de que, com essa redução, o governo vai “economizar” cerca de R$ 4 bilhões. A economista aponta que pelo menos metade desse montante voltaria para os cofres públicos na forma de impostos. “É incompreensível, do ponto de vista econômico. Em termos sociais, nem se fala”, criticou.

Desvalorização

O valor proposto pelo governo corresponde, segundo ela, a cerca de 50% do poder de compra do salário mínimo na época em que foi criado em 1940. Entre 2004 e 2019, em função da política de valorização do salário mínimo, houve crescimento do poder do seu poder de compra, que voltou a cair nos últimos dois anos.

Assista à entrevista:

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