Economista Eduardo Moreira destaca importância da Caixa para o desenvolvimento do Brasil

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No painel Defesa da Democracia, das Empresas Públicas, Bancos Públicos e Caixa 100% Pública, o escritor defendeu o papel dos bancos públicos

Só é possível imaginar um Brasil com justiça social e democracia com uma Caixa Econômica Federal 100% pública e fortalecida. Essa é a visão do economista e escritor Eduardo Moreira, painelista convidado para falar sobre o eixo Defesa da Democracia, das Empresas Públicas, Bancos Públicos e Caixa 100% Pública durante o 36º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) neste sábado (11).

Cerca de 280 delegadas e delegados, representando empregados da Caixa de todo o país, participam do evento com transmissão pelo Facebook da Fenae, pelo aplicativo Viva Fenae/Apcef e pelas redes sociais da Contraf/CUT.

Durante um vídeo com cerca de 20 minutos de duração, Moreira apresentou, em linguagem acessível, conceitos como o papel do Estado, o funcionamento do sistema financeiro e a importância de um banco público para mitigar as desigualdades sociais.

O presidente Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sérgio Takemoto, em mensagem ao vivo aos espectadores do primeiro painel do evento, destacou a importância da união da categoria para seguir na luta para manter e avançar dos direitos da categoria.

“Nós vamos superar todos os desafios que serão enormes. Mas com a nossa organização e a nossa disposição de luta, eu tenho certeza de que nós vamos passar por esse momento. Como foi dito aqui a Caixa é imprescindível”, afirmou Takemoto.

O painelista Eduardo Moreira expressou alegria em participar do 36º Conecef e destacou que falar sobre a Caixa Econômica Federal é um prazer e um dever. “Eu sempre vi com muita alegria esse senso de pertencimento das pessoas que trabalham na Caixa. É algo em 20 anos no mercado financeiro que eu nunca vi muito nos outros lugares onde eu trabalhei”, observou.

Na Caixa, comentou Moreira, chama a atenção o senso e pertencimento dos empregados, que expressam orgulho em trabalhar em uma empresa que é de todos os brasileiros e brasileira e que serve à população.

Papel do Estado

Para o economista, há, em geral, um entendimento equivocado das pessoas de qual seja o papel do Estado. Ao contrário do senso comum, o Estado não é um ente, mas uma realidade inventada que se refere a um grupo de pessoas cuja função é organizar a convivência em sociedade por meio de regras. No caso do Estado brasileiro, por exemplo, é dividido em Três Poderes: Legislativo, que cria as leis; Executivo, que executa as leis; e o Judiciário, que penaliza quem não cumpre as leis.

“Além das regras que vão orientar ou restringir a forma como a gente convive, o Estado faz outra coisa que é a seguinte: ele escolhe de quem ele tira riqueza do grupo e para quem ele dá a riqueza neste grupo”, explicou Moreira.

O economista falou sobre a maneira como o Estado administra a riqueza gerada, a forma como a distribui, é o que faz um Estado ser bom ou ruim. Ele citou três exemplos de atuação estatal. Na primeira, o Estado pode adotar políticas de distribuição de renda, como o Bolsa-Família e o auxílio emergencial. Nesse caso, o legado é transformar a vida das pessoas mais pobres para que tenham dignidade e possam consumir e fazer girar a economia.

Na segunda forma de distribuição de riqueza, o Estado pode arcar com os juros da dívida pública, um tipo de medida não deixa legado para a sociedade. “Essas pessoas nem vão entregar nada para ter esse dinheiro e nem vão prestar nenhum serviço, criar nenhum produto e, pior, não vão nem gastar esse dinheiro, pois são pessoas que já têm muito dinheiro. Então isso que eles ganham não volta como consumo, não volta para a máquina”, comentou.

O economista ressaltou que a diferença de legados desses dois tipos de iniciativas do Estado é a razão pela qual o multiplicador do dinheiro que é pago para o Bolsa Família é quase 1.5 e o dos juros da dívida é de 0.7. “Ou seja, um real que vai para o Bolsa-Família, faz a economia 1.5 em termos de riqueza. Já o R$ 1 que chega em termos de juros da dívida para as pessoas mais ricas tem o multiplicador de 0.7. Ele vira 70 centavos na economia e freia a economia”, comparou.

A terceira forma de distribuição de riquezas pelo Estado é por meio da contratação de produtos e serviços que a população precisa, como estradas, hospitais, escolas, transportes e contratação de diversos tipos de profissionais para servirem ao público.

Sistema Financeiro

O painelista recorreu a metáforas simples para explicar o funcionamento do sistema financeiro. Ele explicou o valor simbólico do dinheiro. “O dinheiro é um receptáculo, um recipiente que tem o poder de guardar o direito de trocar uma quantidade de riqueza por aquilo que você tem guardado dentro desta nota. A riqueza em si é aquilo que a gente usa para sobreviver”.

Moreira exemplificou que o funcionamento do sistema financeiro é explicado pelo tripé investimento, risco e retorno. A mesma lógica se aplica para a geração da riqueza. Apenas consumir e não gerar novas riquezas pode levar a sociedade ao colapso. Para gerar nova riqueza é preciso investir a riqueza que se tem e, quando dá tudo certo, a riqueza investida é menor do que a gerada no final.

“Tudo que acontece em economia tem esse investimento, risco e retorno. Depois, como usa isso para poder dividir entre todos. Como a gente gera essa riqueza, gere essa riqueza para poder sobreviver.  Economia é falar sobre como a gente gera e gere a riqueza”, disse.

O economista comentou que um país que consegue potencializar a capacidade de gerar riqueza tem um sistema financeiro eficiente. “Um país que faz com que as riquezas fluam para fazer com que todos possam participar desse processo de geração de riqueza”, exemplificou.

No Brasil, descreve Moreira, o sistema financeiro, ao invés de estimular a geração de riqueza, freia esse processo. As pessoas que têm a riqueza em excesso cobram muito caro para poder emprestar para as pessoas para quem falta riqueza e que também querem gerar riqueza. “A gente tem uma relação de dependência no Brasil daqueles que não têm riqueza para aqueles que têm riqueza que trava completamente o crescimento do país”, pontua.

Além disso, destaca o painelista, não é quem tem riqueza em excesso que cobra caro por ela. “Quem cobra esse excesso todo é o intermediário, é o banco. Então, essa riqueza que está sendo produzida fica toda parada no setor não produtivo. O Brasil tem uma máquina, que é o sistema financeiro, de acumular riqueza no único setor que não produz riqueza”, lamentou.

Caixa 100% Pública

O economista argumenta que a característica brasileira de privilegiar o sistema financeiro em detrimento da geração de novas riquezas, faz da Caixa Econômica Federal uma instituição-chave para destravar esse modelo econômico.

“Um banco público, portanto, para um país como o Brasil – onde o sistema financeiro é um sistema que freia a economia, que acumula riqueza no setor não produtivo e também poder, porque riqueza é poder num modelo como o nosso – o banco público ele não é só bom, ele não é só importante, ele é fundamental para que a gente não tenha um sistema absolutamente incapaz de produzir riqueza, produzir progresso e produzir dignidade para as pessoas”, defendeu.

Moreira considera a Caixa Econômica Federal o mais importante banco estatal do país por ser o que chega onde os outros não chegam. A Caixa, ressaltou, tem como missão fazer o dinheiro chegar para pessoas que querem produzir riqueza, construir ou comprar sua casa, cursar o ensino superior etc.

No Brasil imaginado por Moreira, a Caixa Econômica Federal é peça-chave para construir um país com justiça social e democracia. Imaginar um país que produz riqueza para tirar as pessoas da pobreza; potencializa a capacidade de geração de riqueza; distribui poder; valoriza o setor produtivo e não o setor financeiro, que não produz absolutamente nada.

“O Brasil precisa ter uma Caixa Econômica Federal pública, maior do que está hoje e sempre cumprindo essa função de fazer com que o capital chegue para aqueles que não têm, com uma taxa que permita a eles terem a liberdade de tomar conta do seu processo econômico e contribuir para a nossa nação, que é o grupo, contribuir para o nosso grupo para que todos fortes possamos nos desenvolver e oferecer dignidade e qualidade de vida para todos que moram nesse grupo”, refletiu.

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