Pesquisa revela dados sobre a saúde do bancário no MA

32

Pesquisa foi apresentada durante o I Encontro Estadual 2020, realizado em Balsas – MA.

Durante o I Encontro Estadual 2020, realizado no sábado (25/01), em Balsas (MA), a doutoranda em Psicologia Social pela UnB, Solange Silva, apresentou os resultados de sua pesquisa científica sobre o os riscos psicossociais e o uso de medicamentos relacionados ao trabalho bancário no Maranhão. Ao todo, 245 bancários, de todos os bancos e regionais do Estado, responderam ao questionário, que foi disponibilizado online de outubro a novembro de 2019. Desse total, 73,2% afirmaram que tiveram problemas de saúde ligados ao trabalho no ano passado, enquanto 26,9% disseram que não.

Quanto aos principais riscos psicossociais que atingem os bancários, ou seja, que afetam a saúde e favorecem o adoecimento desses trabalhadores, a pesquisa destacou o número insuficiente de empregados nos bancos, prazos inflexíveis, ritmo de trabalho inadequado, a gestão individualista e inflexível, com ênfase na hierarquia, no controle do trabalho, na falta de liberdade/autonomia do trabalhador para opinar sobre as tarefas, além do esgotamento mental em razão do trabalho desgastante, cansativo e com sobrecarga aliado à falta de reconhecimento da empresa, que, sobretudo, desvaloriza o empregado, gerando mau humor, tristeza, perda da autoconfiança, vontade de ficar sozinho, impaciência, conflitos nas relações familiares, dores no corpo, alterações no sono, e, consequentemente, danos psicológicos, físicos e sociais.

Em relação ao uso de remédios em decorrência do trabalho bancário, dos 245 participantes, 57% afirmaram fazer uso de 1 (um) medicamento, sendo a maioria do tipo psicotrópico, utilizado diariamente, com prescrição médica, a fim de diminuir sintomas físicos causados pela atividades laborais. Por sua vez, 27% afirmaram utilizar 2 (dois) medicamentos, do tipo analgésico, ministrados, em regra, diariamente, com prescrição médica, também para reduzir dores físicas relacionadas ao trabalho. Já 7% admitiram o uso de 3 (três) analgésicos, via de regra, todos os dias, com o mesmo intuito de minorar os sintomas físicos causados pelo labor.

Ante os resultados alarmantes da pesquisa, a doutoranda Solange Silva sugeriu algumas medidas que podem ser tomadas para prevenir e diminuir o adoecimento da categoria, proporcionando saúde e qualidade de vida aos bancários maranhenses, dentre as quais: 1) sensibilizar o trabalhador, de modo que entenda o sofrimento do colega, a fim de combater a indiferença com a sua própria saúde e com a dos demais, evitando-se, ainda, a busca tardia por ajuda médica especializada; 2) levantar mais dados que apontem o estado de saúde dos bancários do Maranhão, em razão das condições de trabalho, do modo como ele é organizado, bem como as suas repercussões subjetivas; 3) divulgar os dados para a sociedade e para a comunidade científica, com o intuito de aprofundar estudos sobre a temática da saúde, gerando na classe trabalhadora uma identificação com os problemas que acometem os bancários; 4) e, por fim, criar uma Clínica do Trabalho Bancário, cujo objetivo será o de oferecer atendimento especializado aos adoecidos física e/ou psicologicamente.

No fim da apresentação, a diretora de saúde e segurança do trabalho do SEEB-MA, Regina Sanches, agradeceu a participação dos bancários na pesquisa, parabenizando a doutoranda Solange Silva pelo trabalho realizado, o qual, sem dúvida, auxiliará o Sindicato a elaborar estudos e estratégias para melhorar a saúde física e psicológica dos bancários do Maranhão.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comentário
Seu nome