Trabalhadores esclarecem dúvidas e renovam forças em evento no Passaré

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A base em greve no BNB sugeriu e a AFBNB prontamente atendeu, realizando na manhã de hoje (5), na Praça Jader Colares, no Passaré, um momento de debate, reflexão e sobretudo renovação do espírito de luta e fortalecimento da greve, inclusive tendo sido referendado pela assembleia realizada no dia 3, no Sindicato dos Bancários do Ceará.


Denominado “Café-debate: A greve no contexto atual e a segurança jurídica do trabalhado”, o evento reuniu mais de duzentas pessoas, entre dirigentes, sindicalistas – inclusive do Sindicato dos Bancários do Ceará,  que apoiou o debate – e trabalhadores não apenas do BNB, mas também de outras instituições financeiras, públicas e privadas, uma vez que a luta por dignidade no trabalho, reconhecimento e valorização é de toda a categoria. Um bolo para lembrar os exatos 30 dias da greve foi compartilhado pela Associação.


A convite da AFBNB, a advogada trabalhista e integrante da Comissão de Direito Sindical da OAB, Gabryella Ruiz esteve presente dirimindo dúvidas, quebrando mitos e ratificando a legalidade da greve. Ela destacou a complexidade desse direito, difícil de ser exercido porque enfrenta não só os interesses do patrão, dos governos, mas também da população que se sente prejudicada e ao mesmo tempo a importância desse instrumento para os trabalhadores. “A greve é um direito temido porque os trabalhadores assumem o protagonismo de suas vidas”.


Ela esclareceu que o tempo da greve quem determina são os trabalhadores, reforçando que os resultados serão tão mais positivos quanto for a capacidade de resistência, organização e mobilização da categoria. “Patrão não negocia se a base estiver desmobilizada” – frase completada pelo diretor da AFBNB, Dorisval de Lima, ao afirmar que até negocia, mas “com desdém, embora não haja motivo para a negação ao que a categoria reivindica, já que com crise ou sem crise o banqueiro lucra bilhões”.


Em suas intervenções, os diretores da AFBNB reforçaram que a greve não é um ato em si, isolado do contexto geral de ataques à classe trabalhadora e a instituições, por isso é fundamental compreender esse contexto e buscar se inserir no enfrentamento de medidas como o PL das Estatais e o PL 257 e PEC 241 – que congelam por 20 anos os gastos públicos.


Ao se pronunciar, o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Tomaz de Aquino, enfatizou a importância da adesão de todos, inclusive para acompanhar o nível de adesão que tem ocorrido nas agências do Banco e reforçou a unidade na luta como ferramenta para pressionar os patrões a uma negociação melhor. Ele informou que logo mais às 17h haverá negociação geral com a Fenaban e após, às 19h, com os bancos públicos.


Uma das intervenções foi feita por Tuyná Fontenele, trabalhadora do BNB em greve, que junto com outros funcionários têm se reunido para discussão das questões específicas e construção de alternativas. Ela convidou a quem não aderiu ao movimento a fazê-lo, a fim de fortalecer esse instrumento de luta e resistência que é a greve. “A greve está se voltando para o índice, mas não podemos esquecer nossas demandas específicas. Ninguém vai lutar por nós! A gente deve ter medo de fazer o que é errado e a greve não é errada. É um direito! Não podemos ser regidos pelo medo!”, conclamou a todos, encerrando sua fala do ganho prático do movimento, que não se resume aos resultados mas também à consciência da luta.


Em sua fala, a presidenta da AFBNB, Rita Josina Feitosa da Silva, falou do que motiva a luta dos trabalhadores, citando demandas que se arrastam há muito tempo sem resposta  – metas abusivas, a insegurança nas funções, a carência de políticas de recursos humanos dentre outras. “Nós estamos cansados de esperar e o Banco está cansado de saber “; o que falta é agir. Rita falou da solidariedade de classe, que faz com que as pessoas se arrisquem, não tenham medo e pensem em si enquanto uma categoria, e não de forma isolada. “Temos de manter acesa a chama da mobilização e da organização. Nossa causa é justa e essa causa nos une: a luta por um banco sólido e por trabalhadores valorizados”.


O café-debate foi encerrado com o grito de guerra puxado por um dos participantes: “Bancários, à luta! A greve continua”.


Amanhã, às 10h, haverá manifestação dos bancários no centro de Fortaleza (concentração na Praça da Igreja do Carmo) . A atividade integra o calendário de luta aprovado na assembleia do dia 3.


Source: Notícias – 300

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