Artigo: A Consciência Negra

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  • Por  Luis Rodrigo Aires Silva, representante da AFBNB em Sobral (CE)

 

Ao nascer, ninguém disse minha cor.

Eu brinquei, cantei, dancei, sorri e vivi até então sem que minha aparência fosse minha designação.

Aprendi que era negro/negra da forma mais cruel: humilhado (a) e chorando por ser chamado (a) de macaco (a), de preto (a) safado (a). Daí por diante, qualquer xingamento parecia dobrar de intensidade na boca de quem falava “seu (sua) negro/negra de merda”. Passaram a questionar até meu lugar: “negro/negra não é pra estar aqui”. Chegaram e me fizeram acreditar que eu nada valia apenas pela minha pele.

Foi aí que algo em mim decidiu resistir. Não iria manter minha condição de cativo por causa de ignorantes e opressores. Não iria mais baixar a cabeça. Iria usar minhas marcas, meu cabelo, minhas roupas, enfim, iria ser quem eu sou: um corpo negro e consciente neste mundo…

Orgulhoso (a) pelo que meus antepassados conquistaram, ansioso (a) para seguir nesse exemplo e lutar por mais, já que ainda há muralhas para atravessar.

O passado dos que vieram antes me deu um norte para prosseguir quando me dispus a entender ouvindo e observando.

Je Suis Ici. Sim, eu estou aqui. E me farei ouvir porque tenho lugar de fala. Não por um dia, não apenas neste dia, mas em todos os que virão e que venham…

Os ecos em mim farão lembrar, mesmo quando só queira mergulhar em lágrimas, mesmo que só queira fugir, mesmo que só queira não estar aqui…

Mas estarei, por que sei de onde vim, porque sei o que preciso fazer, porque sei quem eu sou…

 

 

 

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